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Callegari usa Tribuna Livre da Câmara de Vitória para dar ‘palestra’

Karla Coser e Ana Paula Rocha questionaram “uso eleitoral” da intervenção do deputado

Reprodução

O deputado estadual Callegari (DC), que é pré-candidato a senador, participou nesta segunda-feira (23) da Tribuna Livre da Câmara de Vitória, a convite do vereador bolsonarista Armandinho Fontoura (PL), pré-candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa. Entretanto, o deputado não falou sobre nenhum tema relacionado especificamente à Capital do Estado, o que levantou questionamentos sobre possível uso eleitoral do espaço.

Na verdade, Callegari utilizou seu tempo de fala para fazer uma espécie de “palestra” curta, tendo como tema “Liberdade e atuação parlamentar”. Com tom mais ameno do que o de costume, o deputado defendeu que existe uma confusão na população em avaliar a qualidade de um parlamentar pela quantidade de projetos de lei apresentados ou pelo apoio para a realização de obras públicas. Na verdade, os parlamentares, segundo ele, devem ser julgados pela “coerência” em relação às pautas que defenderam no período de campanha.

Essa coerência, prosseguiu, pode ser mantida mesmo em momentos em que se vê obrigado a dialogar com adversários. Ele citou a si mesmo como exemplo, quando realizou a sanção de projetos de lei de sua autoria, como a do “SOS Educação” e a do “Parto Livre”, com o governador Renato Casagrande (PSB).

O conselho de Callegari para parlamentares de todo o Brasil: “Mantenha-se firme, forte e coerente com aquilo que o elegeu, com base no enfrentamento de ideias, mas na negociação dos meios para que essas ideias sejam concretizadas. Faça isso e você será feliz em sua carreira política”. Depois, defendeu o deputado federal Gilvan da Federal (PL), condenado por violência política de gênero praticada contra Camila Valadão (Psol) na própria Câmara, e o próprio Armandinho, que esteve preso por um ano no âmbito do inquérito das milícias digitais, no Supremo Tribunal Federal (STF).

No mais, nenhuma palavra sobre a gestão municipal de Vitória ou qualquer questão prática relevante. No período dos questionamentos, Ana Paula Rocha (Psol) foi a única vereadora de oposição que se manifestou, se contrapondo à noção de liberdade religiosa que havia sido defendida pelos parlamentares de direita, ao afirmar que “racismo é crime” e discurso de ódio contra religiões de matriz africana não pode ser confundido com liberdade de expressão.

Mas, no geral, prevaleceu a estratégia da oposição de evitar o confronto direto, conforme já visto em outros momentos. Karla Coser (PT) discursou contra o uso político-eleitoral da Tribuna Livre quando Callegari já havia se retirado. Ela lembrou da participação do deputado federal Gilvan da Federal no fim do ano passado, simplesmente para defender-se.

“A gente sabe que a Câmara de Vitória é um lugar importante. Às vezes, em algumas sessões, mais importante do que a Assembleia Legislativa, todo mundo prestando a atenção. E agora a direita da Câmara de Vitória decidiu transformar esta tribuna em palanque político para os seus pré-candidatos. Se esse for o combinado, vou começar a trazer os meus também. Mas eu acho que este não é o espaço, porque está cheio de problema na cidade que não tem sido discutido aqui”, criticou.

Logo em seguida, Ana Paula Rocha voltou a falar, se somando às críticas de Karla. “Um pré-candidato a senador chegar aqui para ficar sendo ovacionado enquanto pré-candidato, eu acho que a Câmara se apequena quando o único propósito do dia seja esse”, comentou.

Já Armandinho Fontoura “desafiou” a “esquerda” a convidar para a Tribuna Livre os seus correligionários, como o senador Fabiano Contarato (PT), acusado por ele de “estelionato eleitoral”, e o deputado estadual João Coser (PT), ex-prefeito de Vitória e pai de Karla, para falar sobre a promessa não cumprida de instalar um metrô de superfície na Capital. Armandinho também afirmou que a oposição “não tem coragem” de bancar o enfrentamento com a direita.

A Tribuna Livre é realizada duas vezes por mês em sessão ordinária da Câmara. As propostas são previamente submetidas à votação dos vereadores, contendo no expediente o nome do convidado, o autor do convite e o tema a ser tratado. Em geral, serve como espaço para lideranças externas contribuírem com os temas da cidade, mas o Regimento Interno apresenta poucas especificações a respeito do que pode ser abordado. Há apenas a previsão de que o presidente da Câmara pode interromper a fala do convidado se “o assunto não disser respeito, direta ou indiretamente, ao município”; e se o assunto “tiver conteúdo sobre questões exclusivamente pessoais”.

Anderson Goggi (Republicanos), porém, se limitou a dizer que convite a Callegari foi aprovado pelos vereadores e não foram apontadas questões de ordem durante a sua fala.

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A Tribuna Livre contou com outros dois participantes. Um deles foi o cabo Jackson Eugênio Silote, que abordou a valorização dos policiais militares. Mas a participação mais inusitada foi a do cinegrafista Urias Ferreira de Freitas, que, a convite de Davi Esmael (Republicanos), falou sobre “o papel do audiovisual na divulgação das plataformas e dos candidatos à eleição”. O próprio Urias revelou que trabalha com produção de vídeos para o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato a governador, citando inclusive a relação construída junto a seu cliente.

Karla Coser criticou a participação do cinegrafista, dizendo que ele se limitou a fazer “lobby” do próprio serviço, e que havia uma “linha muito fina” entre as manifestações da Tribuna Livre naquele dia e crime eleitoral.

Ana Paula Rocha também defendeu que a Câmara não pode “ser espaço do profissional mostrar o ‘case de sucesso dele’, que é a comunicação do prefeito”.

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