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Câmara da Serra retoma sessões com novos vereadores e embates

Bolsonarista Pastor Dinho Souza fez crítica direta a Dr. Thiago Peixoto, que respondeu

A Câmara da Serra realizou, nessa segunda-feira (3), a sua primeira sessão ordinária de 2026 com uma composição diferente. Tomaram posse os quatro suplentes dos parlamentares afastados por suspeitas de corrupção: Wilian da Elétrica (PDT), Marcelo Leal (MDB), Dr. Thiago Peixoto (Psol) e Sergio Peixoto (PDT), ocupando os lugares, respectivamente, de Saulinho da Academia (PDT), Cleber Serrinha (MDB), Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT). A mudança também já se expressou em uma nova configuração de embates ideológicos.

Dr. Thiado Peixoto encerrou seu juramento de posse com um grito de guerra do campo progressista: “Golpistas não passarão!”. O vereador bolsonarista Pastor Dinho Souza (PL), apesar de não ter citado o novato nominalmente, interpretou a fala como um recado a ele e decidiu reagir. Ele afirmou que aquela poderia ser “a única chance” de Thiago “se destacar nesta Casa”, e falou que o partido do novo colega defende “maconheiro”, “aborto”, “ideologia de gênero” e o presidente Lula (PT), “ o maior bandido da história desta nação”.

“Eu me sinto honrado de ter o senhor aqui, porque isso chama-se democracia. Mas espero, sinceramente, que o senhor não faça o mandato de vossa excelência só falando de Bolsonaro, porque, se for assim, nós teremos um novo Lula nesta Casa. Nós sabemos que esta Casa de Leis nunca teve, talvez, um representante do Psol, o partido de extrema esquerda, o maior aliado do presidente Lula, que defende aqueles que roubam celular para tomar uma cervejinha, que ‘tavam’ com plaquinha na mão defendendo o cachorro Orelha, mas defendem o aborto. Então, fica aqui apenas o meu posicionamento democrático também, e dizer ao senhor: seja bem-vindo, mas não espere que terá sossego nesta Casa”, discursou.

Logo que teve a oportunidade, Thiago Peixoto rebateu, dizendo que Pastor Dinho “não entregou nada” em um ano de mandato, “dá prejuízo para o município” e nunca o viu “em uma Unidade Básica de Saúde defendendo ninguém” – Peixoto é médico concursado que atua na atenção primária de Saúde da Serra.

“Os servidores da prefeitura estão há dois anos sem reajuste, a gente tem várias demandas importantes na cidade, e o senhor vai fazer uma marcha lá em Brasília para defender uma pessoa que negou vacina e matou 700 mil pessoas nesse país. E você não tem coragem de fazer uma marcha aqui na cidade para defender o servidor público, defender a população, para as mães que estão precisando de consulta nas unidades, eu nunca te vi. Aí você vem aqui falar de mim, gritar, agredir…eu quero te dizer uma coisa: eu não tenho medo de cara feia, sabia? E você pode vir quente, que eu ‘to’ fervendo”, rebateu.

Pastor Dinho Souza é um dos poucos vereadores de oposição à gestão do prefeito Weverson Meireles (PDT) na Câmara da Serra. Conhecido pelo viés ideológico de extrema direita, se tornou, a pedido do Ministério Público do Estado (MPES), alvo de um inquérito policial em junho do ano passado – junto com o colega Antonio C&A (Republicanos) – por declarações consideradas discriminatórias e de intolerância religiosa. Na época do surgimento das acusações de corrupção contra os parlamentares afastados, evitou fazer julgamentos diretos sobre a situação.

Thiago Peixoto também tende a se distanciar da base governista, tendo tomado posse na Câmara com discurso contra a corrupção e apresentando cobranças relacionadas a demandas dos servidores públicos municipais. Mesmo assim, conforme visto no embate ideológico dessa segunda-feira, a possibilidade de articulação com a oposição de extrema direita é bastante improvável.

Crise

As acusações contra os quatro vereadores afastados tiveram impactos diretos sobre a base de Weverson Meireles na Câmara e as pretensões políticas futuras do Partido Democrático Trabalhista (PDT), tendo em vista que Saulinho da Academia e Teilton Valim foram os candidatos mais votados nas eleições proporcionais da Serra em 2024, fazendo com que passassem a ser cogitados para futuras candidaturas à Assembleia Legislativa.

Apesar disso, com exceção de Dr. Thiago Peixoto, os demais suplentes empossados deverão se juntar aos vereadores de situação. Sergio Peixoto, inclusive, estava ocupando cargo na gestão de Weverson Meireles.

De todo modo, a crise na Câmara da Serra (e do PDT) ainda não está superada. Em breve, um outro suplente poderá ser convocado, desta vez para assumir a cadeira do vereador Fred (PDT), preso desde o fim do ano passado.

Mas há uma questão ainda mais complicada. Alguns vereadores, como Antonio C&A, defendem uma nova eleição da Mesa Diretora para concluir o biênio atual, que se encerra em 2026. Com os parlamentares suspensos, apenas dois dos cinco originalmente eleitos ainda permanecem na Mesa – inclusive, Saulinho da Academia era o presidente original da Casa.

Cargos da Mesa Diretora e espaços em comissões estariam sendo ocupados de forma provisória e desequilibrada, segundo os defensores de um novo pleito – que se apresentaria, então, como uma alternativa para virar a página da crise institucional

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