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Câmaras de Vitória, Vila Velha e Serra enfrentam brigas pela Mesa Diretora

Presidentes Anderson Goggi, Osvaldo Maturano e William Miranda estão sob pressão

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As Câmaras de Vereadores de três cidades da Grande Vitória enfrentam disputas intensas relacionadas às Mesas Diretoras. Na Capital e em Vila Velha, os embates envolvem os processos eleitorais de renovação da direção previstos para este ano. Na Serra, os confrontos têm como foco uma reivindicação pela renovação antecipada dos ocupantes. Tudo isso acontece em meios aos reflexos das eleições gerais do Brasil.

Conforme o Regimento Interno da Câmara de Vitória, a renovação da Mesa Diretora deve ocorrer entre 1º e 15 de agosto do segundo ano de cada legislatura. Entretanto, um grupo de cinco vereadores defende que a escolha ocorra somente após as eleições de outubro, para evitar “contaminação” entre os dois processos.

O grupo inclui três vereadores do Republicanos que integram a Mesa: o presidente da Casa, Anderson Goggi; o primeiro secretário, Davi Esmael; e o segundo vice-presidente, Luiz Emanuel. Além deles, estão o primeiro vice-presidente e líder de governo, Leonardo Monjardim (Novo), e Armandinho Fontoura (PL). Todos são da base do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que seria o principal interessado no adiamento.

Pazolini deverá deixar a prefeitura em breve para se candidatar a governador. Portanto, o próximo presidente da Câmara estará na linha de sucessão direta da atual vice-prefeita, Cris Samorini (PP). A avaliação, segundo informações de bastidores, é de que o atual chefe do Executivo consideraria ter mais chances de garantir um aliado seu na linha sucessória no caso de uma eventual vitória na disputa ao Governo do Estado.

Entretanto, os demais 16 vereadores resistem à ideia de adiar a eleição. Um deles, Dalto Neves (SD), tem sido cotado como pré-candidato a presidente. Nos últimos dias, uma foto do grupo passou a circular nas redes sociais, como uma espécie de demonstração de união.

Sobrou para o bolsonarista Dárcio Bracarense (PL), que tem sido alvo de grupos de direita nas redes por se deixar fotografar ao lado de figuras do Partido Socialista Brasileiro (PSB) – Aloísio Varejão, Bruno Malias e Pedro Trés –, do Partido dos Trabalhadores (PT) – Karla Coser e Professor Jocelino – e do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) – Ana Paula Rocha. Bracarense teve embates públicos recentes com outras figuras da extrema direita por fazer oposição a Pazolini.

Desgastado, Anderson Goggi anunciou uma licença de 15 dias da Presidência da Câmara, começando de quarta-feira (11). Segundo informações de uma fonte que acompanha as movimentações da Casa, o racha está longe de ser resolvido, e Pazolini estaria tentando convencer integrantes do “grupo dos 16” a mudarem de ideia – inclusive sinalizando com a possibilidade de exoneração de ocupantes de cargos comissionados na prefeitura ligados aos parlamentares.

Mudança de preferência

Em Vila Velha, a renovação da Mesa Diretora está prevista para a primeira sessão ordinária de junho do segundo ano de legislatura, conforme manda o Regimento Interno. Por lá, é permitida a recondução para o mesmo cargo, ao contrário da Câmara de Vitória, mas uma situação parecida une os dois legislativos municipais.

O prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) disse que pode deixar o cargo em breve para se candidatar nas eleições, para governador ou para senador. Portanto, Borgo também quer garantir que o próximo presidente da Câmara, que subirá um degrau na linha de sucessão do Executivo, seja um aliado fiel.

No entanto, há mais. Um dos cotados para candidato a prefeito de Vila Velha em 2028 é o deputado federal Victor Linhalis (PSDB), filho do vice-prefeito Cael Linhalis (PSDB), prestes a assumir o Executivo no lugar de Arnaldinho. Para isso se viabilizar, Cael terá que renunciar ao mandato, uma vez que a legislação eleitoral impede candidaturas de parentes do mandatário do Executivo – o que, em outro contexto, pode inviabilizar a candidatura da primeira-dama de Cachoeiro de Itapemirim (sul do Estado), Norma Ayub (PP), a deputada estadual em 2026.

Se essas hipóteses forem confirmadas, o presidente da Câmara de Vila Velha poderá se tornar prefeito interino em 2028. O atual chefe do Legislativo, Osvaldo Maturano (PRB), foi eleito no ano passado com o apoio de Arnaldinho. Agora, a informação nos bastidores é de que o prefeito teria mudado a preferência para o vereador licenciado Joel Rangel (Podemos), atual secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade.

Segundo informações de uma fonte que acompanha as movimentações do Legislativo vilavelhense, a articulação de um nome que nem sequer está exercendo mandato atualmente não caiu bem junto aos vereadores, e Maturano, pelo menos por enquanto, mantém o apoio da maioria para renovar a permanência na Presidência.

Arnaldinho Borgo tem acumulado um histórico de rompimentos com aliados. A escolha de Cael Linhalis como seu vice em 2024 se deu em detrimento do então presidente da Câmara de Vereadores e aliado de Arnaldinho, Bruno Lorenzutti (MDB), que não escondeu a frustração por ter sido escanteado. Mais recentemente, Borgo rompeu com o grupo do governador Renato Casagrande (PSB), apesar da parceria e investimentos do Governo do Estado desde o início de sua gestão.

Crise sem fim

Na Serra, a eleição para renovação da Mesa Diretora está prevista para 31 de dezembro, de acordo com o Regimento Interno. No entanto, a crise recente que resultou no afastamento de quatro vereadores por acusações de corrupção tem feito com que parlamentares reivindiquem o adiantamento do processo.

Entre os afastados estavam justamente o presidente da Câmara, Saulinho da Academia (PDT), além do primeiro e segundo secretários, Cleber Serrinha (MDB) e Wellington Alemão (Rede), respectivamente. O primeiro vice-presidente, William Miranda (União), passou a chefiar o Legislativo, e Raphaela Moraes (PP) passou da segunda para a primeira vice-presidência. O vereador Paulinho do Churrasquinho (PDT) foi inicialmente designado para secretariar.

Para uma parte expressiva dos vereadores, é necessária uma nova eleição para regularizar a ocupação da Mesa Diretora, tendo em vista que nem todos os cargos vagos puderam ser substituídos adequadamente. Um requerimento de nova eleição do vereador Rodrigo Caldeira (Republicanos) foi derrotado na sessão da última segunda-feira (9), mas isso não serviu para pacificar a Câmara.

Nos últimos dias, William Miranda protocolou dezenas de requerimentos de urgência especial em diversos projetos. Segundo informações de fontes que acompanham as articulações da Câmara, o movimento seria uma forma de “travar a pauta” e diminuir o espaço para novos requerimentos de eleição.

Nos últimos dias, uma nova vereadora passou para o cargo de secretária da Mesa: Andreia Duarte (PP), esposa do deputado estadual Fábio Duarte (Rede) – assim, substituindo Paulinho do Churrasquinho, um nome do Partido Democrático Trabalhista (PDT), o mesmo do prefeito Weverson Meireles (PDT).

Miranda também tem tomado diversas outras atitudes para se contrapor à gestão de Saulinho da Academia, incluindo um pacote de contingenciamento que determina redução de 10% em contratos administrativos e impõe novas regras para controle de despesas no Legislativo, impactando em diversas exonerações de ocupantes de cargos comissionados.

Procurado por Século Diário, William Miranda afirmou, em nota, que “desde que assumi, interinamente, a presidência da Câmara Municipal da Serra, com o afastamento do vereador Saulinho da Academia, tenho feito exatamente o que prevê o Regimento Interno da Casa. De acordo com o Regimento Interno da Câmara da Serra, com o afastamento do presidente, o 1º vice-presidente assume a presidência, e no caso do afastamento dos secretários, prevê que o presidente indique outro vereador para assumir a função, no caso, a vereadora Andréa Duarte”.

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