No período de filiações partidárias observou-se a preocupação de algumas lideranças políticas que vão disputar a eleição municipal deste ano em escolher um partido que ofereça as condições necessárias para erguer palanques fortes. Um dos critérios para a escolha foi a atenção que o partido daria aos seus candidatos a prefeito.
Uma explicação para isso é a nova forma de financiamento de campanha que passará a valer na eleição deste ano. Em vez de buscar com o empresariado local os recursos para custear as campanhas, os candidatos vão ter de disputar a eleição com os recursos do fundo partidário.
Esses recursos são distribuídos da seguinte maneira: 5% de forma igualitária para os 35 partidos em atividade no País; e 95% de forma proporcional entre os partidos, quanto maior a representação na Câmara dos Deputados, maior a fatia do partido no fundo. O problema é que hoje muito pouco desse dinheiro é usado para campanha eleitoral, cerca de 20%. O grosso do dinheiro é destinado às despesas de logística e pessoal para manter os diretórios espalhados pelo País.
Com o fim do financiamento privado de campanha, a tendência é que os partidos tenham que mexer nesses percentuais, cortando gastos estruturais para aumentar o o valor repassado aos candidatos. A boa notícia para os postulantes a prefeito neste ano é o aumento do valor que será repassado pelo governo federal. Em 2014, o Fundo Partidário distribuiu mais de R$ 365 milhões aos partidos. Em 2016, o valor previsto é de R$ 819 milhões.
Mesmo assim o dinheiro é pouco se comparadas às campanhas milionárias dos anos anteriores, sobretudo nas grandes capitais do País. Neste sentido, como ficaria a distribuição para o Espírito Santo? Foi com essa dúvida, que os nomes com mais densidade eleitoral procuraram as nacionais para fechar acordos por cima, para tentar garantir uma concentração de esforços em seus palanques.
Exemplo disso, foi o deputado Amaro Neto, que se filiou ao Solidariedade com ficha abonada pelo presidente nacional do partido, o deputado federal Paulinho da Força. Como tem um nome muito competitivo na disputa, vai receber atenção do Solidariedade. Amaro hoje é o único candidato do partido com chances reais de conquistar a prefeitura de uma capital. Por isso deve receber atenção especial do partido.
O PPS também deve investir nas candidaturas de seus prefeitos no Estado: Luciano Rezende, em Vitória e Geraldo Luzia, o Juninho, em Cariacica. Na Serra, o prefeito Audifax Barcelos chegou à Rede para tentar equilibrar o jogo com o deputado federal Sérgio Vidigal. Apesar dos problemas internos que o deputado enfrenta no partido por ter votado a favor do processo de impeachment na Câmara, ainda tem o apoio muito forte da nacional do PDT.
PMDB, PT e PSDB, que detêm as três maiores bancadas na Câmara dos Deputados, recebem as fatias mais gordas do fundo partidário. Para os candidatos no Estado filiados a esses partidos, porém, será mais difícil conseguir a atenção financeira de suas nacionais. Como são maiores, têm mais filiados e mais candidatos espalhados em mais municípios brasileiros.
Esses partidos tem interesses no jogo de poder nacional, e tendem a investir em Estados com colégios eleitorais maiores, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que somados concentram cerca de 40% do eleitorado brasileiro.
Para os meios políticos, isso deverá fazer com que os candidatos de grandes partidos capixabas fiquem menos evidentes aos olhos de seus dirigentes nacionais. Para a maioria, o jeito vai ser recorrer à lógica “do mais com menos”, investindo no corpo a corpo e na busca de plataformas alternativas, como as redes sociais, para divulgarem suas campanhas eleitorais.

