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Casagrande mira redução da violência como legado em livro sobre Estado Presente

O ex-governador Renato Casagrande (PSB) reuniu, na noite dessa quarta-feira (11), uma plateia de ex-integrantes da gestão, autoridades da área policial e a classe política para o lançamento do livro ???Estado Presente em defesa da vida: um novo modelo para a segurança pública???, baseado no seu principal projeto em quatro anos de governo. A publicação reforça a queda nos índices de violência como o maior legado da Era Casagrande, mas também afasta a participação do então ex-governador, hoje de volta ao poder, Paulo Hartung na redução dos homicídios ??? tese defendida pelo peemedebista e que, inclusive, foi vendida pelo próprio socialista nos três primeiros anos de gestão, quando era ???sócio??? do antecessor.

Em seu pronunciamento no evento, Casagrande fez questão de destacar a participação do então secretário de Ações Estratégicas, o delegado da Polícia Federal, Álvaro Rogério Duboc Fajardo, que também partiu da mesa do encontro. Talvez o maior símbolo da antiga sociedade entre Casagrande e Hartung, o secretário de Segurança Pública, André Garcia, que participou das duas gestões, não é citado no livro, tampouco foi mencionado durante os discursos. Além dessa separação entre os dois últimos governos, o livro editado pela Fundação João Mangabeira ??? braço de formação política do PSB, da qual Casagrande é presidente ??? serve de registro do projeto, descontinuidade pela atual gestão.

Esse fato não foi ignorado por Casagrande, que reivindicou a queda no índice de violência nos primeiros meses da gestão Hartung e cobrou ainda a manutenção dos investimentos na área: ???Colocamos todos os governos reféns desse patamar de crescimento em segurança pública. Porque se reduzirem, a população vai chiar. Se tirar a Patrulha da Comunidade dos bairros, a população vai chiar. Uso a palavra refém no sentido bom. Para que a gente possa chegar assim numa posição que seja aceitável???, afirmou.

Casagrande foi direto ao atribuir ao antecessor os mais altos índices de violência da história no Espírito Santo. ???Não dava para conviver com a 2ª colocação [em número de homicídios] do País. Alguma coisa tinha que ser feita???. Isso fica claro na apresentação do livro, onde o ex-governador relembra que em 2010 a população capixaba vivia ???no limite do medo da insegurança???. Em 2009, o índice de homicídios era próximo a 60 a cada grupo de 100 mil. Quando assumiu o governo, a relação era de 52,5 a cada grupo de 100 mil e ao final de sua gestão, em 2014, esse índice caiu para 39,4 por 100 mil pessoas, deixando o Estado na oitava colocação no País.

Ao longo das 216 páginas do livro, o projeto Estado Presente é apresentado por meio de depoimentos de autoridades policiais e pessoas que participaram de programas na área social, outro eixo do programa. Também são apresentadas as ações e os resultados em números do programa. No entanto, a impressão que fica é de que a publicação ajuda a registrar esse ???maior legado??? de Casagrande na história. Contudo, a disputa política entre as duas principais lideranças políticas ameaça a manutenção das ações governamentais concretas na área.

No final de sua exposição no livro, Casagrande disse: ???Plantamos bases sólidas para fazer com que o Espírito Santo deixe de figurar em posição no mapa nacional de violência. E a influência positiva desse trabalho nas estatísticas da criminalidade continuará produzindo efeito por mais algum tempo. Mas, para que não haja descontinuidade na curva decrescente conquistada, é preciso que os fundamentos sejam mantidos???. Mas não é o que parece. Um exemplo disso é o que está acontecendo com as viaturas da Polícia Militar do programa Patrulha das Comunidades, que hoje trazem apenas a menção de ???Patrulha???. Já o adesivo ???das Comunidades??? foi retirado pelo atual governo.

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