O cerco de lideranças com base no município de Cariacica ao prefeito Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), pode ter relação a uma percepção dos meios políticos locais de que o ex-prefeito Helder Salomão (PT), que é favorito na disputa, possa não entrar no pleito.
Isso porque o prefeito tem mostrado capacidade de recuperação de seu capital político, o que o recoloca no jogo do município como uma candidato bastante competitivo, caso o ex-prefeito petista não dispute a eleição do próximo ano.
O deputado federal tem circulado o Estado, conversado com lideranças e ampliado sua imagem com vista à reeleição de 2018. Com o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT) sofrendo com a desidratação de seu capital, Helder Salomão consegue driblar a crise de imagem do partido.
Mas isso pode ser colocado em risco em caso de vitória na disputa de Cariacica. O município vem sofrendo com a crise e a expectativa de que Helder possa repetir as gestões anteriores pode deixar a população frustrada, o que desgastaria a imagem de Helder no município, que hoje é positiva.
Em um momento em que o PT nacional está sob forte tiroteio político, arriscar o capital em uma gestão que não repita o desempenho poderá ter consequências sérias para a imagem do deputado federal. Neste sentido, alguns interlocutores acreditam que, apesar da pressão do eleitorado e do próprio partido para que ele dispute a eleição de 2016, Helder pode ficar fora do páreo.
Com isso, haveria uma reorganização do tabuleiro eleitoral de 2016 no município e o eleitorado pode ver repetido o cenário de 2012, com o deputado estadual Marcelo Santos (PMDB) enfrentando Juninho. Como Marcelo saiu derrotado e o prefeito acumulou desgastes na primeira parte de seu mandato, o peemedebista pode conseguir uma vantagem, mas tendência é de que a disputa entre eles seja acirrada.
O ex-presidente da Câmara de Vereadores, Adilson Avelina (PSB), também está preparado para entrar na disputa. Mas sem mandato, ele fica em desvantagem. Quem pode desequilibrar o pleito, é o deputado Sandro Locutor (PPS). Em entrevista a Século Diário, no início do mês, o parlamentar afirmou que sua preferência é pelo apoio a Helder Salomão.
Mas caso o petista não dispute, ele também aventa a possibilidade de entrar no páreo, mas ainda observa os movimentos da classe política para decidir seu posicionamento no próximo ano. Para disputar, ele terá que mudar de partido, já que o PPS é a sigla do atual prefeito.

