A impressão deixada pelo primeiro ano do governador Paulo Hartung, com elementos de sua entrevista coletiva desta terça-feira (29), é de que o que foi falado na eleição não combina com o que foi realizado. Em sua campanha eleitoral, quantas vezes Hartung disse que iria chacoalhar o Estado?
Mas na coletiva desta terça, disse que sabia que a situação seria complicada desde a divulgação do estudo feito por seus secretários Ana Paula Vescovi e Haroldo Correia Rocha. Vê-se, nesse discurso, uma grande contradição. Se Hartung disse que sabia da crise, por que disse que chacoalharia o Estado? A expressão seria apenas para classificar o ajuste fiscal? Se for, é muito forte.
Quando afirma que vai chacoalhar o Estado, esperava-se que o governador pudesse mostrar um salto nas finanças do Estado. Aliás, era isso que se esperava com a demonstração dos superávits nos relatórios quadrimestrais da Secretaria da Fazenda. Mas não mostrou.
E mostra uma inconsistência sobre o futuro. O governo que é tão pautado na movimentação do mercado, que se diz tão especialista em economia, vai esperar o primeiro trimestre para só então fazer um planejamento? Quando afirma que a sombra de 2015 ainda vai se projetar sobre o primeiro semestre de 2016, fica difícil esperar que o próximo ano seja positivo para o Estado.
E um dado que deixa tudo muito mais preocupante ainda: Hartung insiste na já superada política de atração de grandes empresas produtoras de commodities, que só trazem prejuízos ambientais e pouco retorno, seja do ponto de vista da empregabilidade, seja da arrecadação de impostos. No que diz respeito às políticas públicas, o governo se orgulha de comprar equipamento com recursos do Banestes para equipar um hospital particular, dizendo que isso gerará mil empregos.
O que parece é que há muita contradição no entendimento do governo do Estado do que é obrigação do Estado. E, pelo visto, para os capixabas a expectativa de ter um governo que avance em políticas públicas que melhore a qualidade de vida de toda a população em vez de um grupo não vai se concretizar.
Fragmentos:
1 – E 2015 termina como começou, com Paulo Hartung (PMDB) tentando desconstruir o governo de Renato Casagrande (PSB) e o socialista tentando revidar, dizendo que o governador não tem nada para apresentar e por isso mantém o discurso de ataque.
2 – Tudo bem que o deputado estadual Guerino Zanon (PMDB) já teve passagem pela Secretaria de Esportes do Estado, mas dizer que foi uma escolha técnica, aí já é demais, não é governador?
3 – Em Linhares, norte do Estado, a classe política avalia se a ida do peemedebista vai ser boa ou ruim para sua entrada na disputa eleitoral do próximo ano à prefeitura do município. A impressão
inicial é de que é muito pouco tempo para que ele possa capitalizar com o novo cargo.

