Quinta, 20 Janeiro 2022

​Cientista político vê fragilidade de Bolsonaro no desfile de tanques em Brasília

ueberdeoliveira_ufes_robertojunquilho Roberto Junquilho

"Além do espetáculo grotesco, há um significado de que o governo Bolsonaro demonstra fragilidade, embora existam pessoas que pensem diferente, ao se colocar nessa posição quase que caricata, quixotesca", disse o cientista político Ueber de Oliveira, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ao analisar o desfile militar na Esplanada dos Ministérios nesta terça-feira (10), em Brasília, assistido pelo presidente Jair Bolsonaro e os comandantes militares. O ato ocorreu quando a Câmara dos Deputados se preparava para votar a proposta do voto impresso, defendido pelo governo e objeto de ameaça às eleições de 2022 por parte do presidente.

Na rampa do Palácio do Planalto, Bolsonaro recebeu o convite para participar da Demonstração Operativa em Formosa, em Goiás. A parada militar durou cerca de 10 minutos e contou com 44 veículos entre blindados, tanques e caminhões. O presidente convidou chefes dos três poderes e presidente de tribunais para participar do ato militar. Nenhum compareceu, bem como o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB-RS).

Para o professor Uber, foi "uma cena grotesca, os tanques, quinquilharias bélicas, na verdade da Guerra da Coréia [950 a 1953], comprados de segunda mão. Você vê que os tanques não funcionam direito, exalando fumaça mais do que tudo. E o Brasil tem o 15º orçamento militar do mundo, salvo engano, e há de se perguntar: para onde vai esse recurso, se não é para picanha, para cerveja superfaturada, para o leite condensado, resultado de outros escândalos?".

Ele acredita que, "ao contrário do que muita gente imagina, essa demonstração não foi para atingir o Congresso Nacional por conta da votação do voto impresso. A intenção do governo é atingir a Suprema Corte, porque ele tem sofrido uma série de procedimentos de natureza penal e administrativa. Por exemplo: a ações que estão em curso podem ser barradas pela Câmara dos Deputados".

O professor aponta que o que está em jogo são as ações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que devem passar pelo crivo da Suprema Corte e que envolve o processo de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, em tramitação.

"O ministro Alexandre de Morais deu andamento ao processo, que pode ser julgado a qualquer momento e a chapa pode, efetivamente, ser cassada. Isso está no radar do governo. E mais recentemente os processos movidos pelo TSE por ocasião dos ataques antidemocráticos ao sistema de votação brasileiro sem apresentação de provas. Outro espetáculo grotesco foi aquela live em que ele dizia que apresentaria provas de fraudes nas urnas eletrônicas e, no final das contas, não havia prova nenhuma".

Para o cientista político, "talvez seja aquilo que o Eduardo [deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente] disse lá atrás, que bastariam dois cabos e um soldado para fechar a Suprema Corte".

Sobre a presença dos três comandantes militares no ato, Euber Oliveira afirmou: "As Forças Armadas entraram nessa aventura bolsonarista sobretudo no segundo semestre de 2018, quando Temer deu plenos poderes ao general Braga Neto, atualmente ministro da Defesa, depois de passar pela Casa Civil. Ele comandou aquela campanha o Rio de Janeiro, que coincidiu com o próprio processo eleitoral. A política de enfrentamento à violência no Rio, além de ter colocado as Forças Armadas de modo direto no centro da crise nacional, as colocou também dentro do processo eleitoral, que acontecia simultaneamente".

Ele destaca a leitura equivocada de anticomunismo, "porque as Forças Armadas brasileiras ainda fazem uma leitura enviesada da Intentona Comunista, de 1934, e essa ideia do perigo vermelho, teoria de segurança nacional, o inimigo. Nosso oficialato ainda está entorpecido por essas doutrinas que são das metade do século passado".

Outro ponto a ser considerado, segundo Ueber de Oliveira, é o processo de votação da Lei de Anistia, em 1979, toda a efervescência de abertura política, e a Constituinte de 87, que foi um movimento extraordinário do ponto de vista da conquista dos direitos e garantias fundamentais. "Aquele debate da sociedade que optou pelo caminho da legalidade e do Estado Democrático de Direito não aconteceu nas Forças Amadas. Estou falando tanto das polícias regionais, as polícias militares, que hoje não são controladas pelos governadores".

Ueber aponta que as Forças Armadas perderam a credibilidade, recuperada depois do período do governo militar. "Bastaram dois anos para ir por água abaixo, graças ao envolvimento excessivo com esses absurdos do governo Bolsonaro, que é um presidente descontrolado, que não tem projeto, que colocou a sociedade brasileira nessa esquina da história".

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Comentários: 2

Agmarcarioca amigo do mito em Terça, 10 Agosto 2021 21:32

cerveja,picanha,leite condensado e o auto custo da ufes em formar na maioria filho de papai que pode pagar uma universidade particular,o desfile ja estava agendado bem antes o gato 9 dedos nao volta nao sei porque esta solto

cerveja,picanha,leite condensado e o auto custo da ufes em formar na maioria filho de papai que pode pagar uma universidade particular,o desfile ja estava agendado bem antes o gato 9 dedos nao volta nao sei porque esta solto
fernando em Terça, 10 Agosto 2021 23:04

kkkkkkkkkkkkk esse pessoal tem um tesão no Bolsonaro. Um fetiche so fala nele, fica com ele na cabeça o dia todo.

kkkkkkkkkkkkk esse pessoal tem um tesão no Bolsonaro. Um fetiche so fala nele, fica com ele na cabeça o dia todo.
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