Durante os dois primeiros anos do governo Paulo Hartung (PMDB), o vice, César Colnago (PSDB), foi uma liderança sem grande visibilidade. Assumindo a coordenação de um projeto quase sem recursos, o vice de Hartung, diferentemente dos vices anteriores, teve poucas oportunidades para ganhar destaque.
A partir deste ano, porém, Colnago ganhou espaço no governo. Primeiro de forma bem negativa. Ele esteve à frente do governo durante a paralisação da Polícia Militar, já que o governador convalescia após uma cirurgia para a retirada de um tumor na bexiga. O tucano assumiu o protagonismo da crise nos primeiros dias da greve.
Logo depois, ele assumiria o governo novamente enquanto Hartung esperava esfriar a delação do ex-executivo da Odebrecht, que o envolvia no esquema de “caixa 2” da empreiteira. Nesse período, coube a Colnago cumprir agendas externas do governador.
Outro importante teste para Colnago foi a prestação de contas do governo na Assembleia, em que houve um duro embate com o correligionário, o deputado Sergio Majeski. Mas os tempos difíceis parecem estar ficando para trás e o vice começa, finalmente, a ser recompensada, com a conquista de espaço e visibilidade.
Com o governador correndo o Estado para fazer entregas enquanto testa as condições do cenário eleitoral para uma disputa à reeleição, o vice vem cumprindo várias agendas na Grande Vitória e até fora do Estado em nome do governo. Recentemente, Colnago esteve em Minas Gerais, na comitiva que debate a possibilidade de retorno às atividades da Samarco.
Colnago, que sinaliza interesse em disputar a Câmara dos Deputados em 2018, consegue com isso aumentar seu capital político. Também se fortalece para, em caso de desincompatibilização de Hartung para uma disputa ao Senado, assumir o governo com capital político em alta.
De olho no ninho tucano, o governador tem fortalecido três lideranças do partido que podem fortalecer seu projeto de se filar à sigla para a disputa do próximo ano. Hartung tem interesse em retornar ao PSDB, mas esbarra na resistência da Executiva Estadual, que, em maioria, é contrária à filiação do governador. A prioridade para a Executiva é a reeleição de Ricardo Ferraço ao Senado.
Além de Colnago, o próprio Ricardo Ferraço é uma liderança que voltou a ser prestigiada no Palácio Anchieta. Na semana passada, um dia antes da aprovação da emenda que garantiu a permanência do sistema de benefícios fiscais no Estado, o governador reuniu o setor atacadista, um dos principais beneficiados com as renúncias, para destacar a batalha do senador em Brasília pela manutenção dos benefícios.
Quem também tem merecido uma atenção especial do governador é o prefeito de Vila Velha, Max Filho. Comandando o maior colégio eleitoral do Estado e com grande influência no partido, Max também é uma liderança com potencial para apaziguar os ânimos dentro do partido, embora os tucanos se mostrem irredutíveis no debate sobre a filiação do governador.

