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Com baixa adesão à biometria, bairros populares podem influenciar votação

O recadastramento dos eleitores em Vitória vai até o próximo dia 31 de março, mas a preocupação da Justiça Eleitoral e da classe política é grande, já que em muitas regiões da cidade a procura continua baixa. A apreensão nos meios políticos vai além da possibilidade de a cidade ter uma eleição de apenas um turno. A influência na distribuição dos votos também preocupa.
 
De acordo com um levantamento publicado nesta quinta-feira (11) no jornal A Tribuna, com base nos dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a procura pelo cadastramento biométrico tem sido menor nos bairros mais populares, o que pode prejudicar os candidatos que têm mais densidade nessas regiões. Caso do deputado estadual Amaro Neto (PMB). 
 
O parlamentar foi o mais bem votado para a disputa à Assembleia Legislativa, contando com votos de todo o Estado, mas principalmente em bairros mais populares. Ele deve entrar na disputa pela prefeitura da Capital contanto também com esses votos. Mas se os eleitores não se recadastrarem, não poderão votar. 
 
Entre os bairros com menor procura estão Grande Vitória, com apenas 18% recadastrados; Tabuazeiro (19%), São Pedro III (21%), Forte São João (21%), Inhanguetá (21%). Esses bairros cadastraram menos de um quarto de seus eleitores. Na outra ponta, entre os bairros que têm mais eleitores cadastrados estão justamente os bairros mais abastados, caso de Jardim Camburi (37%), Praia de Santa Helena (36%) e Jardim da Penha (35%). 
 
Para os meios políticos, a impressão é de que o acesso à informação e a localização dos cartórios favorecem essa disparidade dos números. Jardim Camburi, por exemplo, tem um cartório para o recadastramento. Já os bairros mais populares ficam em áreas distantes da cidade e com a mobilidade mais fragilizada. 
 
Caso haja mesmo a diminuição do número de eleitores em Vitória e com a diminuição também do eleitorado de baixa renda, o cenário eleitoral pode mudar e vai exigir uma nova dinâmica dos candidatos. Além de Amaro Neto, o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que em 2012, teve mais votos nas áreas nobres, estaria buscando os votos das regiões mais afastadas da cidade. O deputado federal Lelo Coimbra (PMDB) também tem circulado nessas regiões. 
 
Com uma gestão que para as lideranças da cidade privilegiou a orla, o prefeito Luciano Rezende (PPS) pode se favorecer dos dados. Ele busca nos bairros mais pobres a estratégia de indução de votos por parte das lideranças comunitárias, mas se os votos de lá não chegarem, pode também se complicar na disputa. 
 
Com a estratégia de abraçar bandeiras bem amplas, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) acaba passando ao largo dessa nova dinâmica e tenta transformar a visibilidade estadual em reconhecimento local, o que pode driblar a dificuldade com os números. 
 
Para tentar aumentar a procura pelos cartórios, a Justiça Eleitoral vem pedindo aos partidos para que ajudem na divulgação e na mobilização dos eleitores. Mas a impressão é de que a distância de alguns bairros para os cartórios deve deixar a procura para a última hora. 

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