Depois de ter exposta a manobra palaciana para tentar emplacar, sem sucesso, o nome do ex-governador Renato Casagrande (PSB) entre os indiciados no relatório final da CPI dos Empenhos, o texto do deputado Euclério Sampaio (PDT) deve ser aprovado nesta quarta-feira (1). Os deputados governistas no colegiado estariam constrangidos em assumir a manobra palaciana e o prolongamento do trabalho estaria causando muitos desgastes para os parlamentares.
O líder do governo na Assembleia e presidente da CPI, Gildevan Fernandes (PMDB) conseguiu estender os trabalhos até julho, alegando que recebeu novas denúncias que poderiam alterar o relatório, assinado por Euclério. Mas nos bastidores, a medida foi interpretada como uma manobra para o governo ganhar tempo para convencer o relator a alterar o documento. Euclério, porém, estaria irredutível.
Ele sustenta que Casagrande não era o ordenador de despesa, responsabilidade exclusiva dos então secretários, incluídos no relatório do deputado por terem feito pagamentos sem os devidos recursos provisionados.
No dia 18 último, quando foi lido o relatório, o deputado Erick Musso (PMDB), vice-líder do governo, na condição de membro efetivo da CPI, pediu vista do relatório para analisar o documento envidado por um dos indiciados, o ex-secretário de Fazenda, Maurício Duque, que pedia a retirada de seu nome do texto. Nos meios políticos, o pedido foi visto como uma manobra palaciana para ganhar tempo.
Musso teria que apresentar seu parecer na semana passada, mas houve um acordo entre os deputados da CPI para que não houvesse sessão. O deputado na reunião desta quarta terá que apresenta seu voto ou contra ou a favor do relatório. Nos bastidores, esperava-se que a partir do posicionamento do peemedebista outro aliado do governo pedisse vista para tentar adiar o desfecho da CPI.
Para esta quinta, a saída governista seria apresentar um relatório divergente. O problema é que os deputados palacianos estariam constrangidos em assumir essa posição, o que colocaria em risco a movimentação do governo.
Como o relatório foi feito por um deputado da base de Hartung, também não cabe aos deputados tentarem alegar que o pedetista estaria trabalhando para proteger o ex-governador. Euclério foi quem criou a comissão, que tinha inicialmente como relator Rodrigo Coelho (PDT). Com a ida de Coelho para a Secretaria de Assistência Social, houve uma mudança no colegiado. Gildevan Fernandes passou a presidir o grupo e Euclério Sampaio assumiu a relatoria.
Os trabalhos foram cercados de grande polêmica nos meios políticos desde o início. Com a iminência da chegada das contas do exercício de 2014 de Casagrande à frente do governo, o indiciamento do ex-governador serviria de subterfúgio para que a Assembleia rejeite as contas do socialista, o que o tiraria do jogo político contra Paulo Hartung em uma eventual disputa em 2018

