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Com imagem ‘queimada’, Hartung cancela participações em eventos públicos em Serra e Colatina

O aparecimento do nome do governador Paulo Hartung (PMDB) nas delações de executivos e ex-executivos da empreiteira Odebrecht, divulgada nessa terça-feira (11), abalou o Palácio Anchieta. Apesar da tentativa de desqualificar as acusações, classificando-as como “levianas e mentirosas”, o fato é que o governador acusou o golpe.
 
 
 
 
Primeiro sintoma dos efeitos pós-delação foi o cancelamento da participação do governador em dois eventos públicos que aconteceram nesta quarta-feira (12), em Colatina, noroeste do Estado, e na Serra, Grande Vitória.
 
Por recomendação médica, Hartung comunicou se afastamento desta quarta-feira (12) até o dia 24 deste mês — recentemente, o governador foi submetido a uma cirurgia para extrair em tumor da bexiga em São Paulo. O governador vinha participando de visitas técnicas e entregas de obras e serviços em todo o Estado, em uma tentativa de recuperar a imagem avariada com a crise na segurança pública, em fevereiro passado.
 
Por isso, antes de transferir o cargo ao vice-governador César Colnago (PSDB), Hartung pretendia participar dos eventos desta quarta. A primeira atividade do governador seria em Colatina, no noroeste do Estado. Ele participaria da inauguração do Sesi/Senai no município.
 
De Colatina, o governador seguiria para a Serra, onde participaria da entrega de viaturas para a 14º Companhia Independente de Feu Rosa. Mas quem acabou representando o Palácio Anchieta nos dois eventos foi o vice-governador. Na foto ao lado, Colnago participa do evento em Colatina, ao do prefeito do município, Sérgio Meneguelli (PMDB).
 
O motivo da ausência do governador claramente é evitar mais desgastes à sua imagem, depois da notícia de que o ministro-relator da ação da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma petição com base na delação do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto da Silva Júnior, em que o governador é citado como beneficiado com “pagamentos indevidos” com repasses nas campanhas eleitorais de 2010 e 2012, em duas parcelas repassadas em setembro de cada um desses anos.
 
Segundo a delação, publicada no site da revista Veja, na tarde dessa terça-feira (11), Hartung teria recebido um total de um milhão de reais da empreiteira. O governador classificou a acusação como “leviana e mentirosa”, alegando que não disputou as eleições de 2010 e 2012. O delator, no entanto, apresentou comprovantes dos repasses.
 
O afastamento do cargo por 12 dias pode ajudar a esfriar os ânimos nos meios políticos em relação ao fato de o governador, que era até pouco tempo considerado ileso à praticas ilegais, agora terá de conviver com  mácula em sua imagem, o que pode prejudicar não só seus planos para 2018, mas a própria estabilidade política de seu governo.

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