Representantes do movimento estudantil, profissionais da educação e pais se reuniram na Assembleia Legislativa na tarde desta quarta-feira (9) para debater a grave situação da educação no Estado. Além de criticar o programa Escola Viva, os participantes da sessão especial relataram os transtornos promovidos pelo fechamento de turmas e de escolas no Estado, sobretudo no interior.
As críticas foram resumidas em documento escrito, aprovado e assinado pelos representantes de professores, estudantes e entidades estudantis. A carta será enviada ao secretário de Estado da Educação, Haroldo Correia Rocha, solicitando uma audiência.
O governo do Estado e prefeituras já fecharam nove escolas em Cachoeiro de Itapemirim, oito em Mimoso do Sul, incluindo a única que oferecia o ensino médio. Outras oito foram fechadas em Muqui e Domingos Martins. Na semana passada, alunos da Maria Ericina Santos, no Centro de Vitória, também protestaram contra o fechamento iminente da escola.
Na sessão especial promovida pelos deputados Sérgio Majeski (PSDB) e Enivaldo dos Anjos (PSD), contou apenas com a presença de deputado Josias Da Vitória (PDT). O ameaça do fechamento de escolas, sobretudo as rurais, foi um dos temas mais debatidos.
O fechamento de escolas também traz prejuízos para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que atende especialmente trabalhadores ou pessoas que não podem estudar no período diurno. Esses estudantes tem sido os mais afetados, já que o governo tem fechado as matrículas para o período noturno em várias escolas. Para o sindicalista Swami Bergamo, esse impedimento infringe a responsabilidade e é crime.
Os estudantes questionaram também a forma de implantação do programa Escola Viva, que foi implantado sem o devido debate com a comunidade escolar e não atende aos estudantes de forma universal. Para os estudantes, essa é uma tentativa de elitização da educação no Estado. Também houve depoimento em apoio aos estudantes de São Mateus, que ocupam a Superintendência de Educação desde a última segunda-feira (7). Eles acusam o governo de atropelar a decisão da comunidade que se posicionou contra a implantação do programa na escola Marita Mattos.
Além de São Mateus, também houve protestos em Colatina, contra a implantação do Escola Viva na Escola Conde de Linhares, e em Cachoeiro de Itapemirim, onde o projeto também foi rejeitado por pais e alunos da escola Francisco Coelho Ávila Júnior.
Na próxima segunda-feira (14), o secretário de Educação Haroldo Rocha vai se reunir com representantes do movimento estudantil para discutir a situação do EJA. Existe a possibilidade de uma unificação do movimento para pressionar o governo a voltar atrás na medida de fechamento de turmas e de escolas.
Outro tema tratado na audiência foi sobre a eleição direta para diretor de escola, o representante da Associação dos Diretores, Leonardo Campos, afirmou que a escolha hoje não é mais feita por indicação política e sim por seleção. Mas a representante do movimento estudantil, Mariana Mariano, destacou que o objetivo da comunidade é que haja a eleição direta, com a escolha sendo feita pelos alunos e não de forma corporativa.
Também não faltaram críticas à forma antidemocrática de o governador Paulo Hartung (PMDB) conduzir a política de educação no Estado, sobretudo em relação à maneira que o governo vem impondo o Escola Viva. O professor Geraldo dos Santos afirmou que conheceu Hartung nos tempos de Ufes e garantiu: “Não é que ele não sabe dialogar, ele não deseja dialogar”, esclareceu o professor. Ele acrescentou que após vencer a ditadura, Hartung acabou se tornando um ditador dentro da lógica do mercado.
Ao fim da sessão especial, o deputado Sérgio Majeski fez um balanço da sessão, Ele criticou a falta de atenção do governo com a educação. Para o tucano, o governo vem construindo um projeto marqueteiro e politiqueiro, que é o Escola Viva, mas não quer fazer as melhorias nas demais escolas, escondendo a realidade da maioria dos estudantes do Estado. Ele apresentou fotos que exibiam a precariedade das unidades de ensino no Estado. As fotos foram registradas nas visitas que o deputado fez em mais de 130 das quase 600 escolas da rede estadual.
O deputado citou como exemplo de investimento na educação n Coreia do Sul, que era desacreditada em nível mundial e do Brasil, que era apontado como um dos poucos países do terceiro mundo em condições de chegar ao século 21 em condição de desenvolvimento. A Coreia, porém, fez um investimento prioritário na educação, o que levou o país a se desenvolver nos últimos anos.

