O Conselho Estadual de Educação (CEE) aprovou, em caráter provisório, o funcionamento da Escola Viva, no antigo campus da Faesa, no bairro São Pedro, em Vitória. A resolução foi publicada nesta terça-feira (21) após a reunião plenária do colegiado, realizada na última semana. Mesmo com o apoio temporário, a Secretaria de Educação do Estado (Sedu) terá até o dia 30 de novembro para apresentar toda a documentação sobre o projeto para avaliação conclusiva sobre aprovação ou não do funcionamento da instituição de ensino.
A autorização é um mero empecilho burocrático, já que o Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral São Pedro ganhou contornos de bandeira de campanha do governador Paulo Hartung (PMDB), apesar da forte resistência da comunidade escolar. Hoje, o projeto esbarra ainda na desconfiança de alunos e professores, que teriam mostrado desinteresse em mudar para o projeto-piloto de escola em tempo integral – das 7h30 às 17h – no meio do ano letivo. As inscrições terminam nesta terça-feira (21). A previsão é de que a Escola Viva funciona já neste segundo semestre.
Além das questões pedagógicas e da falta de discussão com a sociedade, o projeto da escola em tempo integral também levanta uma série de dúvidas sobre a instalação da unidade no antigo prédio da Faesa, faculdade que pertence a Alexandre Nunes Theodoro, membro da ONG Espírito Santo em Ação, parceira da Escola Viva. Já foi anunciada uma comissão, coordenada pelo Ministério Público Estadual (MPES), que vai acompanhar a instalação do projeto. Além de promotores de Justiça, o grupo será formado por quatro professores, quatro alunos, representantes da Associação dos Pais de Alunos do Estado (Assopais), além do deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB).
No próximo dia 10 de agosto, a comissão deve realizar uma visita às instalações da Escola Viva para verificar os primeiros dias na escola em tempo integral. O grupo conta com integrantes que estiveram em vigilância durante todo o processo de discussão do projeto na Assembleia Legislativa, que levou 100 dias para ser aprovado, mas não atendeu os interesses da comunidade escolar.