Desde agosto passado, o deputado Envialdo dos Anjos (PSD) decidiu mexer em um vespeiro na Assembleia, com a proposta de criação de 26 cargos para atender tecnicamente às comissões permanentes da Casa. O deputado, porém, vem encontrando resistência entre os colegas para aprovar o projeto.
O primeiro obstáculo foi convencer a opinião pública e os colegas que em um cenário de crise, a criação de 26 cargos seria uma medida necessária. Recentemente o deputado paralisou as atividades da CPI da Sonegação, porque entendeu que ele e os colegas não teriam competência técnica para analisar os documentos entregues pelas empresas investigadas.
Outro problema encontrado no caminho foi o da cobrança dos concursados de 2011, que entendem que se há vagas na Casa, devem ser preenchidas pelos aprovados em concurso que ainda não foram chamados. Não parece que há por parte da Assembleia, porém, interesse em chamar os concursados.
O segundo secretário da Mesa Diretora, Cacau Lorenzoni (PP), respondeu a esse questionamento com certa rispidez, dizendo que o concurso foi finalizado e que não há vagas para os concursados. Mas as vagas criadas de assessor técnico poderiam, sim, ser aproveitadas para acomodar os concursados. O concurso vence no próximo ano.
O mais recente problema para a aprovação da matéria surgiu na semana passada e está sendo interpretado nos bastidores como um embate de servidores para proteger seus nichos de trabalho.
Os chamados consultores temáticos, função que muitos deputados sequer sabiam que existia, foi “descoberta” na semana passada. Eles foram aprovados no concurso de 1994, o famoso e polêmico concurso da gestão Marcos Madureira, como técnicos em nível superior.
Na gestão do então presidente da Casa, deputado Claudio Vereza (PT), a função teve mudança na nomenclatura de técnico para analista. Na Gestão Elcio Alvares (DEM), houve uma nova mudança, para consultor temático. Na sessão da última quarta-feira (7), Enivaldo sugeriu o que estaria acontecendo nos bastidores um lobby desses servidores para evitar a contratação de novo pessoal, o que poderia afetar o controle de alguns servidores sobre as funções na Casa.

