Dois meses após a visita de Lula a Renata Campos, viúva do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, e após a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, ter pedido um encontro com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, as duas siglas finalmente se encontraram para discutir a possibilidade de aliança para 2018. Também ouve conversas dos socialistas com o Podemos de Álvaro Dias e com a Rede, de Marina Silva.
O ex-governador Renato Casagrande, que é secretário-geral do partido em nível nacional, participou do encontro, que aconteceram nessa quarta-feira (1). Por enquanto nada fechado e deve pesar muito a composição para a disputa em Pernambuco, berço do PSB, mas com Casagrande à frente das negociações, os acordos nacionais devem levar em consideração as articulações no Espírito Santo. O ex-governador deve ajudar a armar o xadrez nacional pensando no seu jogo na disputa de 2018.
Hoje a conversa com o PT interessa mais à disputa em Pernambuco do que o projeto nacional socialista. Para Casagrande, porém, a aproximação com o partido, que compôs a chapa do PSB ao governo com Givaldo Vieira na vice, pode ser uma boa acomodação para os dois lados. Caso Casagrande venha a disputar o governo, pode oferecer ao PT o palanque que precisa para garantir sua ocupação de espaço, sem ter de sacrificar uma de suas lideranças para puxar um palanque sozinho.
Como o PT definiu a saída do governo Paulo Hartung, dificilmente o partido conseguirá fazer uma aliança com o grupo do governador, ainda que informal, como aconteceu em 2014. O peso do cenário nacional vai impedir essas escapadas.
Outro caminho dos socialistas no Estado pode ser a Rede de Marina Silva, presidenciável que encontrou no palanque de Casagrande, em 2010, ainda pelo PSB, seu espaço de campanha no Espírito Santo. A reaproximação em nível nacional pode dar o suporte que o ex-governador precisa para seu palanque, até porque, a imagem de Marina Silva com o capixaba sempre foi positiva.
Para a Rede, a aliança também resolveria o problema de ter de erguer um palanque majoritário no Estado, tarefa que vem sendo cobrada de sua principal liderança capixaba, o prefeito da Serra Audifax Barcelos. A relação do prefeito com o ex-governador também permite essa movimentação.
Outra possibilidade que passa por fora dessa conversa é o fato de o PDT se alinhar ao grupo, em nível nacional, o que teria reflexos diretos na disputa proporcional, garantindo a repetição da aliança PT-PDT, que beneficiou os dois partidos em 2014, tanto na disputa de deputado federal quanto para a Assembleia Legislativa.

