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Corpo de Gerson Camata é sepultado na Serra

Sob forte emoção, o corpo do ex-governador Gerson Camata foi sepultado às 16h20 desta quinta-feira (27), no Cemitério Jardim da Paz, na Serra, após um cortejo fúnebre que percorreu avenidas entre o Palácio Anchieta, no Centro da Capital, até o cemitério. 

Foto: Leonardo Sá

Assim como ocorreu durante o velório, que atraiu cinco mil pessoas, o enterro contou com a presença de familiares, autoridades e populares. O governo disponibilizou ônibus para o transporte. 

Na passagem do caminhão do Corpo de Bombeiros pelo Centro de Vitória, que levava o caixão rodeado de muitas flores, houve manifestação de populares, que balançaram um tecido branco, de paz. A mesma cor foi escolhida pela mulher do ex-governador, Rita Camata, e os casal de filhos, Enza e Bruno. O corpo passou pela beira-mar, Dante Michelini, BR 101 e Avenida Civit.

Foto: Leonardo Sá

Ao chegar ao cemitério, o cortejo foi recebido com aplausos. Militares tocaram a marcha fúnebre e executaram uma salva de tiros no caminho até a sepultura. 

O atual governador Paulo Hartung (sem partido) e o futuro, Renato Casagrande (PSB), permaneceram durante o enterro próximos à família. Chorando, Hartung entregou a ela as bandeiras do Brasil e do Espírito Santo. 

Foto: Leonardo Sá

Pela manhã e início da tarde, o salão principal do Palácio Anchieta, sede do governo estadual, permaneceu lotado para o velório. A despedida começou por volta das 8 horas, de forma reservada para os familiares. Por volta das 10 horas, o salão foi aberto para o público até às 14h40, quando teve início o cortejo.

Foto: Leonardo Sá

O ex-assessor de Camata por 19 anos, Marcos Venicio Moreira Andrade, 66 anos, assassino confesso, está no Centro de Triagem de Viana e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na tarde desta quinta. Ele vai responder por homicídio qualificado por motivo torpe e por dificultar a defesa da vítima.

O governador Paulo Hartung, a Assembleia Legislativas e diversas prefeituras decretaram luto de sete dias no Estado. 

Velório

Autoridades, como ex-governadores José Ignácio, Vitor Buaiz e Max Mauro, além de familiares e cidadãos capixabas, em clima de consternação, lotaram o salão principal do Palácio Anchieta para velório do ex-governador Gerson Camata, assassinado nessa quarta-feira (26), na Praia do Canto, em Vitória. Muitos ainda não acreditavam na perda do político, que é considerado um marco na política capixaba por ser o primeiro governador no período de redemocratização pós ditadura militar. 

Foto: Leonardo Sá

“Perdi um irmão e também um dos maiores políticos que o Espírito Santo já teve; de grande apelo popular sem ser vulgar. Com certeza, fez história. Fez grandes obras, como a Segunda Ponte, estradas por todo o interior e também foi quem conseguiu os recursos para que o governador Max Mauro concluísse a Terceira Ponte”, disse o ex-governador José Ignácio Ferreira, que estava acompanhado da ex-primeira dama Maria Helena. 

O atual governador Paulo Hartung (sem partido), destacou que teve Gerson Camata com “um mestre” na política. “Sai do movimento social e do movimento estudantil, lutando pela redemocratização, quando Camata se tornou governador e fez um bom governo, um governo que resgatou a autoestima do capixaba. Sempre foi uma pessoa tranquila e calma”, completou Hartung. 

Já o ex-vereador de Vitória, Namy Chequer (PCdoB), destacou a contribuição de Gerson Camata para a profissão de jornalista, atividade que o político exerceu antes de entrar na vida pública. “Antes de ter sido um político de carreira, exercendo todos os cargos, de vereador, deputado estadual, deputado federal, governador e senador, Camata atuou muitos anos como jornalista. Anos depois, como deputado federal, em 1979, ele fez o projeto de lei do provisionamento para a função de jornalista, dando registro para todos os que atuavam na profissão, mas não tinham diploma, pois até então não havia faculdades de Jornalismo no País”, explicou Namy que também é jornalista.

Foto: Leonardo Sá

Outros ex-governadores também marcaram presença, como  Max Mauro e Vitor Buaiz. Para Buaiz, o ano de 2018 deixou a marca da perda de dois ex-governadores no Estado. Além de Camata, Albuíno Azeredo. “Temos visto um clima de intolerância e animosidade em nosso País, o que é muito triste. Preocupa ainda mais vermos um presidente eleito que prega o armamento como solução para enfrentar a criminalidade e resolver conflitos. Camata era um político carismático e fez um governo democrático, competente e ético”. 

O governador eleito, Renato Casagrande (PSB), também esteve no velório no Palácio na manhã desta quinta.

O deputado estadual Sergio Majeski (PSB) destacou que, como morador de Santa Maria de Jetibá, tem a lembrança de Camata como o governador que levou estradas e outros benefícios para o interior do Estado, como eletrificação e redes de águas. “Ele também organizou o estado administrativamente. Lembro que, quando ele assumiu o Governo, eu estava começando como professor da Sedu [Secretaria de Estado da Educação]. Os salários que atrasavam quatro, cinco meses, começaram a ser colocados em dia”.

Muitos populares também fizeram questão de acompanhar o velório do ex-governador Gerson Camata, como Laudinéia Barbosa Santana. “Eu quis vir porque ele foi nosso governador. Fiquei muito chocada e, até agora, é difícil de acreditar que isso tenha acontecido. Acabou sendo um final de ano muito triste. O motorista Robson da Costa, por sua vez, considerou que Camata foi um bom político para o povo capixaba.

O crime

O ex-governador foi assassinado na na movimentada rua Joaquim Lírio, na Praia do Canto, em frente ao pub Motor Rockers e à banca de jornais que fica na mesma calçada. A Polícia Civil prendeu logo depois o ex-assessor de Camata por 19 anos, Marcos Venicio Moreira Andrade, 66 anos, que estava próximo ao local e confessou a autoria do disparo. O crime chocou o mercado político e a população, gerando forte comoção e manifestações de solidariedade à família.  

A bala atingiu o ombro esquerdo de Camata, transfixou todo o corpo, e saiu no ombro direito. Ele morreu segundos depois, antes mesmo da chegada do Serviço Móvel de Urgência (Samu).

A polícia está convencida que o crime foi premeditado. Em vídeo divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança (Sesp), o assassino não demonstra arrependimento, diz que agiu sozinho, mas nega que tenha saído de casa com a intenção de matar o ex-governador, embora não consiga convencer do motivo de portar uma arma naquele momento. 

Marcos abordou Camata na rua para tirar satisfação sobre o bloqueio de R$ 60 mil de sua conta, resultado de uma ação judicial movida por ele contra o ex-assessor por calúnia e difamação. Em 2009, Marcos denunciou Camata ao jornal O Globo por suposto recebimento de caixa-dois de empreiteiras, como a Odebrecht, por apresentar recibos falsos à Justiça Eleitoral, e se apropriar de salários de funcionários nos períodos em que foi senador. Na ocasião, Gerson Camata negou as denúncias, disse que Andrade sofria de problemas psicológicos, e resolveu mover o processo judicial. 

No início do mês, a Justiça negou pedido apresentado por Marcos Venicio Andrade para não ter de pagar pelas custas do processo. Ele alegava não ter renda suficiente. No entanto, a Justiça entendeu que, com base na declaração de renda, o ex-assessor possui bens para o pagamento, citando quatro lojas em um shopping de Vitória e um carro de luxo, que juntos somam mais de R$ 300 mil. 

Longa trajetória

Camata estava aposentado. Ele se formou em Economia e ganhou visibilidade como jornalista. Atuou em jornais e emissoras de rádio e fez parte do processo de fundação do Sindijornalistas-ES, além de compor a diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Em nota, o Sindijornalistas lembrou do pioneirismo e contribuição de Camata para a categoria.

Depois Gerson Camata iniciou a carreira política, exercendo mandatos de governador – o primeiro democraticamente eleito depois da Ditadura Militar – senador por 24 anos (1987 a 2011), deputados estadual e federal, e vereador de Vitória. 

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