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CPI quer saber por que pátios não foram licitados

A relação entre os agentes envolvidos nas fiscalizações de trânsito e as empresas de guincho e pátio de estacionamento de veículos apreendidos no Estado foi o fio condutor da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia dos Guinchos , que aconteceu na manhã desta segunda-feira (11) na Assembleia. Os questionamentos foram feitos ao comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, tenente-coronel Marcelo Bermudes Rangel.
 
O comandante foi convocado porque os deputados receberam denúncia de favorecimento de algumas das empresas de guincho, com a realização de blitze em suas regiões para que possam receber os carros apreendidos. O comandante explicou que os locais das operações e o acionamento das empresas de guinchos são definidos pelo Ciodes e não pelos agentes que participam da operação.
 
Sobre a denúncia de que haveria recebimento de propinas por agentes de trânsito pagas pelas empresas de guincho, o tenente-coronel disse que não tem conhecimento sobre o assunto. O oficial da PM também foi questionado sobre irregularidades na abordagem dos veículos. Rangel afirmou que abusos são denunciados e apurados. Ele acrescentou que as informações veiculadas são alvo de investigações do Serviço Reservado da PM.
 
Os deputados pediram uma série de informações por escrito do Batalhão de Trânsito, dentre elas as estatísticas de todas as blitze realizadas na Grande Vitória, com local, bairro e pátios para onde os carros foram encaminhados; a relação de todos os servidores que estiveram lotados no Batalhão nos últimos 10 anos; e a relação das denúncias que o Batalhão recebeu referentes a abusos de autoridade e quais medidas foram tomadas, bem como o resultado efetivo dessas medidas.
 
Ainda na reunião desta segunda, os deputados decidiram convocar para depor (18/05), o comandante do Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), tenente-coronel Reinaldo Brezinski, o chefe do Setor de Concessão de Pátios, Jadir Tosta Júnior e Jaqueline de Miranda Kiefer, coordenadora de credenciamento do Detran. Eles vão ser inqueridos sobre o processo de seleção dos pátios, o que é feito pelo sistema de concessão e não por licitação. 
 
Na reunião desta segunda também foi debatida a relação da Associação dos Servidores Policiais Militares do Batalhão de Transito da PM (Assetran) e  concessionários de guincho no Estado. A reunião foi acompanhada pelo promotor de Justiça Fábio Langa Dias, que afirmou o interesse do Ministério Público Estadual nessa questão. 
 
Na semana passada, o presidente da CPI, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), cobrou uma ação da Justiça na Ação por Ato de Improbidade Administrativa, na qual são denunciados os oficiais da Polícia Antonio Carlos Barbosa Coutinho, Carlo Marx Siqueira rocha, Valdir Leopoldino da Silva Júnior, Altiere de Carlo da Silva Machado, Ronaldo Moreira Machado, a Assetran/BPRV.
 
A Assetran é acusada pelo Ministério Público de receber doações não contabilizadas de empresas de guincho, dinheiro esse que teria como destinação atender a interesses particulares.

Ameaças

Nesta segunda, o deputado Enivaldo dos Anjos afirmou que têm chegado, de forma indireta, ameaças veladas aos deputados-membros da CPI, mas que não pedirá à Presidência da Assembleia Legislativa segurança particular.
 
Em nota, o parlamentar reafirmou a disposição dos deputados da CPI dos Guinchos em apreciar cada denúncia que receberem e em atuar para que os trabalhos da Comissão resultem no fim dos abusos que há quase uma década têm sido cometidos com a conivência das autoridades públicas do Espírito Santo.
 
O deputado afirmou ainda que nenhuma ameaça intimidará os deputados membros da CPI dos Guinchos, pois terá de prestar contas à sociedade e à Justiça, ao final dos trabalhos da Comissão. O deputado Enivaldo dos Anjos enfatiza que a segurança dos deputados e da população é dever do Estado, se recusa a receber segurança especial e, se acontecer algo com qualquer membro da comissão, a responsabilidade será, totalmente, do Estado.

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