Desde que assumiu o terceiro mandato, o governador Paulo Hartung (PMDB) tem sido visto em nível nacional como exemplo em gestão por ter implantado uma política de austeridade no Estado para o enfrentamento da crise econômica. Mas esse ajuste fiscal fechou as torneiras para todos os setores e criou insatisfações em várias categorias.
O movimento surpresa dos policiais militares foi um duro golpe na construção de uma imagem de excelência que o governador vinha construído nesses dois primeiros anos de mandato. Desde a última sexta-feira (3), a pauta negativa vem ruindo o discurso, até então enaltecido pelo governador, de que o Espírito Santo era uma “ilha de excelência” em meio ao caos que corroê as finanças da maioria dos Estados brasileiros.
Internado desde sexta-feira (3), véspera do movimento, para uma cirurgia de retirada de um tumor, o governador fica fora da agenda política e pode sofrer um grave estrago na imagem que vendeu para fora do Estado nesses dois anos.
A situação da insegurança no Espírito Santo ilustra as manchetes dos principais jornais do País e põe na pauta a discussão sobre o limite do corte de investimentos e gastos para restabelecer o controle dos cofres públicos. O jornal O Globo destaca as 51 mortes ocorridas na capital capixaba desde sexta-feira, em contrates com as quadro, divulgadas pela Secretaria de Segurança, em janeiro, de calmaria. O jornal também relata o adiamento do início do ano letivo em razão da crise na Segurança Pública.
A Folha de S. Paulo fala sobre a insistência do governo do Espírito Santo em não pedir ajuda à União com mais rapidez, pregando o projeto de austeridade como solução para a crise no Estado. “Para enfrentar a crise no funcionalismo, o governo do Espírito Santo decidiu realizar um ajuste nas contas públicas em vez de pedir ajuda da União para arcar com os salários do funcionalismo”, diz a publicação.
A Folha lembra que Hartung é contra a renegociação das dívidas dos Estados com a União. “O governador capixaba diz que corta despesas desde que assumiu, em 2015. Há dois anos o funcionalismo não tem aumento. O Espírito Santo saiu, assim, de déficit primário (receitas menos despesas antes do pagamento de juros) bilionário em 2013 e 2014 para um superávit em 2015”, disse.
O Estadão destacou o pedido do governador em exercício, César Colnago (PSDB), ao presidente Michel Temer para o envio da Força Nacional e do exército e a falta de segurança no fechamento dos estabelecimentos no Estado.
A Agência Brasil ouviu a Associação de Cabos e Soldados, que relatou a defasagem dos rendimentos da corporação. O salário base de um policial no Estado é R$ 2,6 mil, enquanto a média nacional chega a R$ 4 mil.

