A entrevista do presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM) ao jornal A Gazeta (13/01/2016) pode colocar em risco uma movimentação que começava a ganhar força nos bastidores da Assembleia. O deputado do DEM trabalhava para alinhavar uma nova PEC, que lhe abriria brecha para um quarto mandato à frente da Mesa Diretora.
Mas Ferraço pode ter posto tudo a perder. Muitos deputados não gostaram de ver a Casa envolvida numa richa entre pessoal entre o demista e o governador Paulo Hartung (PMDB). A maioria dos parlamentares entende que o desabafo de Ferraço, criticando a falta de diálogo com o governador, não inclui a agenda do Legislativo e sim contas pessoais do presidente da Assembleia.
Neste sentido, Ferraço teria ficado desgastado com os colegas de plenário, a ponto de comprometer o apoio dos deputados à permanência dele à frente da presidência. Sem o comando da Mesa, Ferraço ficaria ainda mais desgastado politicamente.
A movimentação em torno da recondução de Ferraço começou a ser cogitada nos bastidores, depois que o governo deixou transparecer o interesse de emplacar a candidatura do deputado Rodrigo Coelho (de saída do PT) para a sucessão do demista em 2017.
Para os deputados, a escolha do governo não é a melhor para o plenário, já que Rodrigo é um aliado de Hartung, atuando muitas vezes como líder informal do governo.
Os deputados elegeram Ferraço no início de 2015, por meio de uma PEC que permitiu sua recondução ao cargo. À ocasião o grupo entendia que o perfil imprevisível do demista seria um trunfo da Assembleia na mediação com o Executivo. Os parlamentares temiam que o perfil autoritário de Hartung os colocassem em uma situação vulnerável. Ferraço era o homem que poderia equilibrar as forças com o governador e defender os interesses dos deputados como mais desenvoltura.
Mas se um perfil muito alinhado ao Executivo não tem agradado o plenário. Um presidente que tenta usar o Legislativo para pressionar o governo também não é uma movimentação estrategicamente esperada pelo grupo. Por isso a manobra para pressionar o chefe do Executivo estadual, acabou reduzindo as chances de Ferraço conquistar um quarto mandato à frente da Assembleia.
Neste sentido, o ano eleitoral se torna ainda mais importante para Theodorico Ferraço. Segundo seus interlocutores, a situação financeira de Cachoeiro de Itapemirim não atrai o deputado à corrida pela prefeitura. Seu interesse estaria em Itapemirim, onde a mulher, Norma Ayub (DEM), vai tentar retornar ao poder.
Mas essa também não é uma eleição de favas contadas. Se não conseguir a eleição em Itapemirim e não tiver apoio para continuar no comando da Assembleia, o capital político do deputado, que tem uma carreira política de mais de meio século, pode começar a minguar.

