Não foi bem uma coletiva de imprensa. Aguardadas desde as 10 horas, as autoridades do governo federal que chegaram ao Espírito Santo na manhã desta sábado (11) fizeram na verdade um pronunciamento sobre a crise na segurança pública do Estado, só eles falaram. Os interlocutores do governo Temer subiram o tom do discurso, fazendo críticas à atitude da PM capixaba, que está fora das ruas há uma semana. Havia uma preocupação flagrante no discurso em sufocar o movimento grevista para evitar um efeito dominó da crise país afora, como já vem acontecendo no Rio de Janeiro.
O pronunciamento à imprensa foi aberto pelo governador em exercício César Colnago (PSDB). Ele disse que as reuniões, que devem durar todo o dia, são no caminho de encontrar uma solução para a crise, que é “gravíssima”; o caminho da normalidade, que passa, segundo o governador em exercício, pela retomada da hierarquia, da disciplina. “Não podemos deixar a população desguarnecida por esse ato de violência, de insanidade contra a população capixaba”, atacou Colnago.
Depois foi a vez do ministro da Defesa Raul Jugmann falar sobre a crise ao lado da cúpula do governo Temer, com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen; o secretário de governo, Antonio Imbassahy e o comandante da Força Nacional de Segurança, general de brigada Adilson Carlos Katibe. Também participaram como “figurantes” na coletiva os senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB).
Sem responder as perguntas dos jornalistas, o ministro endureceu o discurso contra o movimento da Polícia Militar. Ele disse que a determinação do presidente Temer é a de envolver os recursos necessários até o retorno da normalidade, na defesa da democracia e instituições, o que deixa claro a preocupação do governo federal com uma iminente onda de paralisações Brasil afora, o que abalaria a estabilidade política, que hoje já é frágil no governo federal.
Sobre as reivindicações da Polícia Militar, o ministro disse que cabe ao governo do Estado a decisão, e que o governo federal dará apoio a essa decisão. O ministro reforçou o discurso de criminalização do movimento. “Não cabe às forças policiais, que recebem os salários com os recursos de impostos pagos pela população fazer esse tipo de movimento. As reivindicações são justas, mas o limite da reivindicação é a segurança da sociedade. Não se pode aceitar reivindicação que coloque em risco à sociedade. Os bons policiais devem honrar seu juramento”. Jungmann deu a entender que os policiais que mantêm o movimento estão contribuindo para o estado de violência que se instalou no Espírito Santo.
Jugmann, que voltou de Portugal às pressas em razão da crise, fez uma espécie de prestação de contas das últimas movimentações do governo federal nas medidas de socorro ao Espírito Santo. Sempre tentando imprimir um tom otimista ao discurso, o ministro lembrou que esteve no Estado na última segunda-feira (6) e que se deparou com uma cidade fantasma. Ele disse que a situação neste sábado é diferente, no sentido positivo, com ônibus circulando e o comércio aberto.
Segundo o ministro, atuam no Espírito Santo hoje 3.130 homens (300 deles da Força Nacional de Segurança); 180 veículos, três helicópteros e sete blindados. “Já temos um policiamento superior aos dias normais”, disse o ministro, o que, segundo ele, tem reduzido a criminalidade, com menos saques e arrombamentos, além da queda no número de assassinatos, que ainda está acima da média.

