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Da Vitória sobrevoa rio Doce para analisar ações da Assembleia

A Comissão de Representação criada na Assembleia Legislativa nessa segunda-feira (9) já deu inicio às primeiras ações para fazer o levantamento e fiscalizar das ações de contenção ao desastre causado pelo rompimento de barragens da Vale-Samarco, em Mariana, Minas Gerais. A tragédia vem trazendo um mar de lama pelo rio Doce que cortará o Estado até a foz em Linhares nas próximas horas.
 
Na manhã desta terça-feira (10), o presidente da Comissão, deputado estadual Josias Da Vitória (PDT), sobrevoou o rio Doce ao lado do deputado federal Sérgio Vidigal, também do PDT, até a barragem de Aimorés, já em Minas Gerais. Os deputados foram acompanhar a situação do rio Doce e, mesmo sem encontrar o mar de lama, perceberam alterações na cor da água, que já está com aspecto barrento, principalmente, em Colatina.
 
Na Assembleia, os membros da Comissão se reuniram com o secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rodrigo Júdice. A preocupação da Secretaria, segundo Júdice, é com o fornecimento de água para a população de Baixo Guandu, Colatina e Linhares.  “Porque a água, durante um tempo, vai se tornar imprópria para abastecimento, e recomendamos, por meio de um auto de intimação à Samarco, que ela forneça água potável para a população”. Mas o Estado, segundo Júdice, também está fornecendo carros-pipa para Baixo Guandu e Colatina.
 
Participaram da reunião os deputados Guerino Zanon (PMDB), Bruno Lamas (PSB), Eliana Dadalto (PTC), Luzia Toledo (PMDB) e Nunes (PT). “O fundamental neste momento é monitorar a água, o que está sendo feito pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) desde sábado, antes de ser contaminada pela lama e depois fazer a confrontação”, explicou, informando que a Samarco também foi obrigada pelo Iema a fazer a análise da água. Na sessão ordinária, o deputado Gilsinho Lopes (PR) criticou a postura do secretário, e disse que cabe ao governo analisar a água e fazer as cobranças à empresa. 
 
À tarde, os deputados membros da comissão de Representação estiveram em Colatina, para uma reunião com representantes da região que será atingida pela enxurrada de lama tóxica vinda de Minas Gerais. Entre as ações foi discutida a análise da água antes de a lama chegar à região e o corte do abastecimento quatro horas antes da chegada dos rejeitos. Também foi informado que a empresa está enviando 40 caminhões-pipa para Colatina. 
 
Participaram da audiência 12 deputados estaduais, o secretário de Saneamento, habitação e desenvolvimento urbano, João Coser; prefeitos, vereadores, especialistas nas áreas responsáveis e a sociedade civil.
 
Na reunião, o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), se mostrou preocupado com a qualidade da água do rio Doce. “Já tivemos informações que foi encontrado mercúrio na água em Minas Gerais. Nossa maior preocupação é com a qualidade da água que ficará após a passagem desses rejeitos e por quanto tempo a captação da água ficará suspensa”, disse.
 
O prefeito de Baixo Guandu, Netto Barros (PCdoB) criticou a Samarco e espera que a empresa pague pelo sofrimento da população.  “Por onde passa essa onda de detritos, o rio Doce morre. Nas cidades onde já passou, já sabemos que a população ficará cerca de 30 dias sem abastecimento de água. Vai afetar nossa fauna, flora, os pescadores, todos que dependem desse Rio. Quando se tem um empreendimento dessa magnitude, vêm cheios de promessas, de desenvolvimento, de emprego, aumento de renda e isso realmente acontece. Mas, a preço de quê?”, criticou.
 
Já o prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski (PT) defendeu a empresa, dizendo que ela está ajudando. “A empresa está enviando 40 veículos para ajudar Colatina de forma emergencial. A água está chegando e, em (Governador) Valadares, por exemplo, não conseguiu mais captar água após paralisar, pois a água está sem qualidade. Já temos uma equipe nossa esperando nas barragens para captar a água e fazer análises. Mas, o cenário em Valadares, aumenta nossa preocupação, pois o período sem captação será um pouco mais longo e teremos que dialogar com a rede de saúde, de educação. Sugiro que a Comissão que coloque no orçamento do ano que vem, recurso para a recuperação do nosso Rio Doce”, disse.
 
O secretário de Estado de Saneamento, habitação e desenvolvimento urbano, João Coser, explicou algumas ações a serem tomadas nas próximas horas.   “Vamos analisar essa água assim que ela chegar e também depois que ela passar. Atualmente o Rio Doce está com um nível de água maior, pois a barragem de Mascarenhas soltou uma quantidade maior do que o habitual. Vamos cortar a água quatro horas antes dela chegar aqui e somente voltaremos a reabastecer após análise comprovar que pode ser usada.

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