Dary Pagung e Marcos Garcia (foto) foram indicados nesta semana como líder e vice-líder do governo
Com a provável saída do deputado Erick Musso (Republicanos) do comando da Assembleia Legislativa, já sinalizada no Supremo Tribunal Federal (STF) e motivo de movimentação no mercado político, o deputado Dary Pagung (PSB) deve ser o futuro ocupante da função, de acordo com tendência que toma corpo nos bastidores. Desse modo, ele assumiria a orquestração de articulações cruciais para a reeleição do governador Renato Casagrande, do seu partido, em 2022, juntamente com o secretário de Governo, Gilson Daniel (Podemos).
Até o desfecho de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) que tramitam no STF, do partido Pros e Procuradoria-Geral da República (PGR), contestando a reeleição de Erick, Dary Pagung permanecerá como líder do governo na Casa, trabalhando para fortalecer os laços com os demais parlamentares, já de posse da confirmação do governador.
O líder do governo exerce o papel de interlocutor entre o Legislativo e o Palácio Anchieta, cujo núcleo de decisões políticas acaba de ser reconfigurado, por meio da nomeação do ex-prefeito de Viana e presidente da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), Gilson Daniel, para a Secretaria de Governo. Com trânsito privilegiado entre os prefeitos, soma com Dary no fortalecimento de bases para garantir a reeleição de Casagrande.
A destituição de Erick Musso, político com planos de alçar voos mais altos, que incluem a Câmara Federal e o governo do Estado, dá a Casagrande maior tranquilidade, reforçando sua influência nas prefeituras e câmaras de vereadores, tradicionais puxadores de votos nas eleições majoritárias, ampliando os canais de comunicação nesses redutos.
Na Presidência da Assembleia por dois mandatos consecutivos e iniciando um terceiro, Erick Musso soube conquistar prestígio, pincipalmente na divisão entre os deputados dos mais de 300 cargos comissionados diretamente ligados à Mesa Diretora e da influência que exerce em cerca de outros mil cargos indiretos, importante moeda relacionada ao poder político.
Esse contexto explica, sem deixar dúvida, o porquê da manutenção do elevado número desses cargos e as vantagens oferecidas a muitos de seus ocupantes, como os assessores que exercem funções externas e não precisam bater ponto nem apresentar relatórios de atividades.
Na última quarta-feira (3), o deputado Sergio Majeski (PSB) apresentou o Projeto de Resolução (PR) 003/2021, que dispõe sobre a obrigação de publicação no Portal da Transparência do Legislativo Estadual, da relação nominal desses servidores de gabinete em exercício de função externa, para garantir o acompanhamento pelos cidadãos e órgãos, hoje inexistente.
Situações semelhantes à de Erick Musso, reeleito para um terceiro mandato na presidência da Assembleia, tem tido decisões contrárias no Supremo, que já anulou pleitos para a Mesa Diretora dos estados de Roraima, Mato Grosso Maranhão e Pará.

