A expectativa de que o relatório da CPI dos Empenhos da Assembleia Legislativa fosse voltado nesta quarta-feira (1) não se confirmou. O deputado Dary Pagung (PRP) pediu vista do relatório. Ele alegou que esta era a sua segunda participação na reunião da CPI e por isso precisava de tempo para conhecer o conteúdo do relatório, que já foi lido na reunião do último dia 18 de maio.
Para os meios políticos, o novo pedido de vista dá ao Palácio Anchieta mais tempo para tentar emplacar a movimentação de incluir o nome do ex-governador Renato Casagrande (PSB) no rol de indiciados. O relator da CPI, porém, está relutante em aceitar a manobra. Euclério Sampaio (PDT) já declarou que não há novos fatos que incriminem o ex-governador, porque ele não era o ordenador de despesas.
Em seu relatório, Euclério denunciou cinco ex-secretários do governo passado por efetuarem pagamentos sem os devidos empenhos: Tadeu Marino (Saúde), Iranilson Casado (Desenvolvimento Urbano), Fábio Damasceno (Transporte), Ailton Xavier (Justiça) e Maurício Duque (Fazenda).
No dia 18 passado, Duque protocolou sua defesa na Assembleia, o que teria justificado o pedido de vista de Erick Musso. O relatório foi devolvido à presidência do colegiado nesta quarta, mas Musso não chegou a votar no relatório, devido ao novo pedido feito por Pagung. Na quarta passada, a reunião foi simplesmente cancelada. Com o pedido de Pagung, os governistas já conseguiram protelar a votação do relatório por três semanas.
As estratégias do Palácio, porém, estão se esgotando. Depois do pedido de vista do vice-líder do governo e membro da CPI, Erick Musso, e agora de Dary Pagung, que terá de devolver o documento na próxima reunião da CPI, na quarta-feira (8), ficará difícil encontrar outro subterfúgio para adiar novamente a definição do relatório.
A não ser que o presidente do colegiado, o líder do governo Gildevan Fernandes (PMDB), apresente as tais novas denúncias que disse ter recebido e que serviram de justificativa para adiar a conclusão dos trabalhos da CPI.
Mas para os meios políticos essa movimentação é mais complicada, já que não haveria fatos novos. A estratégia dos aliados palacianos seria a de convencer o relator da CPI a incluir o nome do ex-governador, estratégia que não está funcionando.

