A disputa pela Prefeitura de Fundão, que tem eleição extemporânea marcada para o dia 1 de outubro próximo, deve ficar polarizada entre dois grupos políticos do município. De um lado estará o comerciante, Joilton Rocha Nunes, o Pretinho (PDT); de outro, o servidor de carreira da Assembleia Legislativa João Manoel (DEM). Para as lideranças políticas, o serviço de limpeza pública deve nortear o debate na nova eleição.
A pressão sobre essa questão, por grupos empresariais do setor, foi o que teria feito o prefeito interino do município Eleazar Ferreira (PCdoB) desistir da disputa à prefeitura. No início do mandato, o comunista recebeu um ofício dos vereadores denunciando várias irregularidades no contrato do serviço de limpeza da cidade. O prefeito abriu auditoria para apurar os fatos e dar início a um novo processo licitatório. Mesmo sem ter conhecimento ainda dos resultados da auditoria, o prefeito foi acusado de dar continuidade a um contrato fraudulento.
A acusação levantada contra Eleazar, segundo observadores do processo eleitoral em Fundão, foi a de criar um fato para tentar desidratar a candidatura do prefeito interino, que teve o apoio do candidato mais bem votado e impugnado na eleição passada, Anderson Pedroni (PSD), que se afastou de Eleazar ao saber das intenções do comunista de disputar a eleição. Pedroni apoia a candidatura de Pretinho, que tem como vice, a mulher do candidato impugnado, Alessandra Pedroni.
Ao desistir da disputa, o prefeito interino deve apoiar a candidatura de João Manoel, que disputa a prefeitura pela quarta vez. Pedroni era tido como o grande eleitor do processo eleitoral extemporâneo, mas parte de seus eleitores não gostou do fato de ele não ter conseguido reverter o processo que impugnou sua candidatura, forçando a cidade a voltar às urnas. Também há muitos questionamentos de Eleazar sobre o afastamento de Pedroni. O possível enfraquecimento do candidato mais votado em 2016 pode fortalecer o grupo do demista na disputa.
Sem Pedroni no páreo, a expectativa é de que a campanha eleitoral, que começa em setembro, seja mais equilibrada e disputada do que a de 2016 e que o debate sobre o serviço de limpeza pública se aprofunde no enfrentamento dos dois grupos.

