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Declarações de Rose sobre impeachment ganham força com perícia do Senado

Já na condição de líder de governo no Congresso, a senadora Rose de Freitas (PMDB), em entrevista à Rádio Itatiaia (Belo Horizonte), no sábado (25), afirmou que a presidente Dilma não foi afastada em razão das pedaladas fiscais, mas por causa da crise política. “Por que o governo saiu? Na minha tese, não teve negócio de pedalada. Nada disso. O que teve foi um País paralisado, sem direção. E sem base nenhuma para administrar. A população não queria mais e o Congresso também não dava a ela os votos necessários para tocar nenhuma matéria”. 
 
As declarações da senadora repercutiram imediatamente nos meios políticos, positivamente para a oposição e negativamente para o governo. O advogado de Dilma, José Eduardo Cardozo, se apressou em afirmar que a senadora foi transparente. “É a prova, portanto, que não há fundamento para o impeachment”, disse ao jornal Folha de S. Paulo
 
As declarações inapropriadas da senadora, que assumiu a liderança no Congresso justamente para ajudar a desembaraçar a relação entre o governo e as duas Casas, criou mais uma saia justa para Temer, que tem sido alvo do chamado “fogo amigo” nessas primeiras semanas de interinidade em razão das recorrentes e polêmicas trocas de ministros.
 
Rose, rapidamente, tentou consertar a primeira derrapada na condição de líder do governo. Queixou-se que teria sido mal interpretada. Queria dizer que Dilma saiu pelo “conjunto da obra”. 
 
Se Rose achou que as declarações se diluiriam nos próximos dias, enganou-se. Ao contrário, elas ganharam peso extra nesta segunda-feira (27) com o relatório da perícia do Senado, feito a pedido da Comissão de Impeachment da Casa. O documento apontou que Dilma não deu as chamadas pedaladas fiscais, mas que teria liberado créditos suplementares sem o aval do Congresso por meio de decretos. “Pela análise dos dados, dos documentos e das informações relativos ao Plano Safra, não foi identificado ato comissivo da Exma. Sra. Presidente da República que tenha contribuído direta ou imediatamente para que ocorressem os atrasos nos pagamentos”, diz um trecho do relatório sobre as acusações contra Dilma de que ela teria cometido pedaladas fiscais com o atraso do repasse de R$ 3,5 bilhões do Tesouro ao Banco do Brasil para o Plano Safra. 
 
O imbróglio está criado. Vai dar um bom trabalho para Temer desarmar mais essa bomba, ironicamente armada pela liderança que deveria aliviar o fardo para o presidente interino. 

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