Por 126 a 124, a maioria dos delegados do PT capixaba decidiu pela saída do partido da base do governador Paulo Hartung (PMDB). A proposta foi levada pelo grupo que apoia a candidatura do deputado federal Givaldo Vieira à presidência do partido no Estado e representa o fim de quase duas décadas de aliança com o PMDB no Espírito Santo.
Assessoria PT

A bandeira levantada pela chapa de Givaldo “Pra Voltar a Sonhar” é de que o PMDB apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff e, por isso, o partido no Estado deve se alinhar à definição nacional de se afastar do partido. O grupo de Givaldo perderia por um voto no Congresso deste sábado (6), mas na última quinta-feira (4), ganhou a adesão do grupo minoritário no partido, que tem três delegados no Congresso.
Foi justamente essa proposta que atraiu os três delegados da chapa “Militantes pela Reconstrução”, passando assim a ter uma pequena mas importante vantagem sobre os grupos ligados ao ex-prefeito de Vitória João Coser e do deputado estadual José Carlos Nunes, que juntos têm 124 delegados. Nenhum dos delegados faltou ao encontro.
Durante o congresso, o deputado federal falou sobre a necessidade de o partido deixar o governo Paulo Hartung. Segundo Givaldo, o argumento de que o PT ficará isolado não se sustenta. Ele lembrou que, nacionalmente, Lula também está isolado partidariamente e segue liderando as pesquisas de opinião sobre a disputa presidencial do próximo ano.
“O Lula pode estar isolado partidariamente, mas não está isolado de sua base. Permanecer nesse governo vai isolar o partido de sua base, de seu movimento social”, afirmou.
Para Givaldo, a permanência no governo Hartung impedia o partido de se movimentar com a base. “A presença neste governo retirou a nossa cara, a nossa identidade. A gente vai fazer as manifestações, e lá puxam o fora Temer, mas lá também puxam o Fora Paulo Hartung e lá está o PT ocupando as posições nesse governo”, disse.
O PT participa do governo Paulo Hartung desde 2003 e também apoiou o governo Renato Casagrande (PSB), de quem o próprio Givaldo Vieira foi vice-governador. A partir das movimentações que levaram ao impeachment da presidente Dilma, porém, o deputado se afastou do grupo que presidia o PT e que defende o apoio e permanência no governo de Hartung.
Os delegados seguem no Congresso na noite deste sábado, agora para eleger o Diretório e o presidente do PT no Estado.

