Após as movimentações partidárias, o deputado estadual Amaro Neto manteve seu domicílio eleitoral em Vitória e permaneceu filiado ao PPS do prefeito Luciano Rezende. Mas pelo jeito, a situação não ficará assim por muito tempo. Amaro tenta a desfiliação do PPS para disputar a prefeitura de Vitória no próximo ano . Já o prefeito, que controla o partido, não parece disposto a liberar o deputado para buscar outra sigla.
Em desgaste político, Luciano Rezende já terá uma disputa pela reeleição bem complicada com o cenário que se desenha para 2016 em Vitória. Como Amaro Neto tem um capital político muito forte para a disputa, além de ser um candidato imprevisível, a liberação do deputado seria um golpe muito forte no palanque do prefeito, já o que teria como mais um adversário competitivo.
Mas simplesmente negar a desfiliação não resolve o problema, muito pelo contrário, só agrava. Em entrevista à Coluna Praça Oito, de A Gazeta, desse domingo (4), o deputado mostra que prepara um “divórcio no litigioso” com o PPS. Para isso, deve acionar seus correligionários. “Pode perguntar o mesmo ao [prefeito de Cariacica] Juninho e ao [deputado estadual] Sandro Locutor”, disse, com a intenção de mostrar que haveria uma perseguição por parte de Luciano a lideranças do partido, o que daria sustentação à justa causa.
Amaro deve recorrer à Justiça para conquistar a liberação para mudar de partido. A janela que será aberta no próximo ano serve apenas para vereadores, a janela para deputados e senadores será aberta apenas em 2018. Por isso, se Amaro pretende disputar a eleição por outro partido, terá que provar a justa causa para deixar o PPS.
Se não conseguir, a situação de Luciano também não ficará boa. O capital de Amaro Neto permite que ele suba em qualquer palanque para apoiar candidaturas contrárias ao prefeito. E aí, Amaro Neto subirá em outro palanque e contrariado.
Amaro Neto estava em negociação com a Rede Sustentabilidade, mas a articulação não deu certo. O deputado coloca o veto ao seu nome na conta do prefeito de Vitória, que teria feito uma manobra com o prefeito da Serra, Audifax Barcelos, puxador da Rede no Estado, para evitar o nome do deputado no novo partido.
Mas nos bastidores, o comentário é de que Audifax buscou resolver a questão até o último momento, mas o crivo teria vindo da presidenciável Marina Silva, que estaria cuidado pessoalmente da escolha de quadros oriundos do Parlamento e que não teria gostado do perfil policialesco de Amaro, após assistir cenas do programa que ele comanda diariamente na TV Vitória.

