A estratégia do senador Magno Malta (PR) em se descolar das lideranças políticas do Estado contaminadas pelas delações dos ex-executivos da Odebrecht, incluindo seu colega de bancada, Ricardo Ferraço (PSDB), ficou bem mais evidente nessa segunda-feira (24), durante evento – espécie de showmício – em Vila Velha.
Nas duas últimas edições do “Caravana da Vida”, que vem percorrendo bairros de periferia dos municípios da Grande Vitória, Magno Malta tem evitado companhias de outras lideranças políticas envolvidas no esquema de “caixa 2” da Odebrecht. O evento do senador PR, sempre ao lado da mulher, Lauriete, soltando a voz, tem atraído uma multidão e se tornou uma eficiente forma de cativar o eleitorado com vistas em 2018, quando Malta deve tentar a reeleição ao Senado.
Na edição dessa segunda-feira, no bairro Terra Vermelha, em Vila Velha, o senador compartilhou o palanque, fora a a mulher, apenas com o vereador do partido no município, Heliossandro Mattos.
Uma situação bem diferente do início do projeto do senador, em que ele parecia ao lado do colega de bancada, o senador Ricardo Ferraço, o presidente do PSD no Estado, o secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior, entre outras lideranças políticas que queriam aproveitar a oportunidade para criar vínculo com os segmentos mais populares de carona no prestígio de Malta. E se afastar das lideranças, o senador quer mostrar ao eleitor que não tem relação com os envolvidos na Lava Jato.
Depois da divulgação da delação de ex-executivos da Odebrecht e da lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador tem buscado se isolar de qualquer contaminação com as denúncias. Ele chegou a gravar um vídeo, sozinho, no plenário do Senado vazio, questionando onde estariam os colegas.
A imagem, para os meios políticos, é simbólica. O senador quer mostrar que é um parlamentar diferenciado, que não se envolve em corrupção. Uma imagem bem diferente da que Malta estava criando até o dia 11 passado, quando a lista do ministro Fachin foi publicada no jornal O Estado de São Paulo, incluindo Ricardo Ferraço, que vinha fazendo um dobradinha com Malta com o intuito de a dupla “fechar” os dois assentos no Senado.
Na estratégia de fechar o campo, os dois apareciam sempre juntos, como aconteceu na crise da segurança pública no Estado, em fevereiro passado. Mas depois inclusão de Ferraço na lista, Magno Malta deve se distanciar do colega, que terá que caminhar sozinho, como nessa segunda-feira, quando se reuniu com pescadores na Enseada do Suá, em Vitória.

