A criação da Secretaria de Direitos Humanos estava dentro do pacote de promessas da campanha de Paulo Hartung (PMDB). O governador, neste terceiro mandato, não escondeu que quer conquistar uma marca social, área negligenciada nos seus dois primeiros mandatos.
A pasta de Direitos Humanos foi pensada dentro deste contexto, mas foi sendo preterida por causa na política de cortes do governo. Faz um ano e meio que a Secretaria ficou restrita a uma simples coordenadoria. Agora, de uma hora pra outra, o governo mostra pressa. Exige que a Assembleia aprove o projeto de lei do Executivo em regime de urgência na sessão desta segunda-feira (27).
Essa urgência momentânea ajuda a explicar as verdadeiras intenções do governo com a pasta. Com a popularidade em baixa e precisando mostrar serviço, a Secretaria de Direitos Humanos pode entrar na vitrine social, ao lado do Escola Viva, Ocupação Social e da campanha Compartilhe o Bem, ações que se escoram muito mais numa estratégia de marketing do que propriamente em investimentos para transformar uma realidade. A estratégia promocional traz resultados rápidos, quase instântaneos. Trabalho na área social requer investimentos altos, paciência e persistência e os resultados nem sempre refletem todo esse esforço.
O professor de Direito licenciado da Ufes, Júlio Pompeu, que espera pacientemente há 18 meses que a acanhada Coordenaria se transforme em Secretaria para que ele tenha uma pasta para trabalhar de verdade, empresta seu currículo e credibilidade na área social para o governador tentar transformar ações marqueteiras em marca social do seu governo.
Surpreende o fato de o professor Júlio, profissional tão capaz e lúcido nessa área, se sujeitar a esse papel. Logo ele, que foi um dos críticos mais contundentes das violações de direito humanos ocorridas no sistema prisional capixaba durante a Era Hartung.
Em respeito ao trabalho do professor Júlio Pompeu e às suas reflexões sempre inteligentes e corajosas na defesa de direitos, queremos crer que o futuro secretário de Direitos Humanos esteja sendo apenas ingênuo em acreditar que possa trabalhar com dignidade e independência subordinado a um homem que ficou conhecido como “senhor das masmorras”, justamente pelas atrocidades cometidas no sistema prisional e também no sistema de privação de liberdade juvenil que, aliás, saíra da Secretaria de Justiça para ficar sob a gestão de Pompeu.

