A saída do deputado Gildevan Fernandes (PMDB) da liderança do governo ainda está ecoando nos corredores da Assembleia. Os comentários são de que o movimento que levou à derrubada do líder partiu do Plenário e chegou ao governador Paulo Hartung (PMDB) em tom de ameaça de um movimento paredista a ser deflagrado na Assembleia a partir dessa segunda-feira (8).
O ultimato estabelecia que os deputados da base e da oposição não votariam os projetos do governo se Gildevan permanecesse no cargo. Com mais de cem itens na pauta, alguns deles indigestos para o governo, como o que garante o cumprimento das emendas individuais dos deputados ao orçamento e à necessidade de o governo aprovar projetos em regime de urgência, a situação poderia ficar complicada. Na semana passada chegou à Casa o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), um projeto que o governo não quer muitas polêmicas em torno.
As insatisfações com o líder do governo já eram conhecidas dos meios políticos há algum tempo, mas não tinham relação necessariamente com os projetos defendidos ou atacados por ele e sim com a ingerência política que os parlamentares estavam preocupados. Mas a aprovação dos projetos do governo e rejeição das matérias dos deputados de oposição se tornou uma arma contra o líder.
Gildevan estaria, segundo essas reclamações, atrapalhando algumas conversas encaminhadas entre os deputados e alguns secretários e o governador. Em alguns momentos esse ruído na comunicação se explicitou no Plenário, com o encaminhamento de manutenção de veto de projeto já negociado com o governo para que fosse derrubado.
A saída de Gildevan não agrada o governador Paulo Hartung que segurou o deputado no cargo o quanto pode. A expectativa de que ele saísse em fevereiro, quando teve início a segunda parte desta legislatura, quando o vice-líder Erick Musso se tornou presidente da Mesa Diretora. Os deputados esperavam que o líder também fosse mudado, mas Gildevan foi mantido no cargo e Jamir Malini (PP) assumiu a vice no lugar de Musso.
Já o deputado tenta manter a linha do agradecimento, sem mostrar ressentimentos pela perda do mandato. Na nota enviada à imprensa, na última sexta-feira (7), o parlamentar afirma que deixa o posto com o sentimento de dever cumprido e agradeceu ao governador pela oportunidade. Nessa segunda, o deputado afirmou que seu trabalho não foi individual, o que para os meios políticos foi uma forma de comprometimento dos demais parlamentares nas decisões tomadas pela Casa.

