Os deputados estaduais entraram em recesso parlamentar nesta sexta-feira (17), encerrando um semestre bastante agitado na Casa. Com a criação de muitas CPIs, movimentações políticas e bate-boca entre os deputados, o semestre acabou deixando algumas impressões sobre o comportamento dos parlamentares e sua relação com os demais poderes.
Desde a movimentação que definiu a divisão dos espaços da Casa, passando pela criação de CPIs e o posicionamento de alguns deputados, a impressão inicial da Assembleia erai de que os deputados teriam uma postura diferente dos anos anteriores.
Mas com o passar do tempo, o perfil da Casa começou a ficar mais claro. A começar pela movimentação para tirar do deputado Sandro Locutor (PPS) um cargo de peso na Casa. O acordo inicial seria para que o deputado, que hoje é presidente da União Nacional de Legisladores e Legislativos (Unale), fosse o corregedor da Casa, mas uma movimentação em cima da hora deu o posto ao deputado Hudson Leal (PRP).
Para os meios políticos, o fato de Sandro Locutor ser o autor do requerimento que denunciou as viagens da primeira dama, foi um dos motivos para o deputado ficar sem nenhuma acomodação na Casa.
Este foi o primeiro embate da Casa , mas paralelamente a essa discussão, a CPI do Pó Preto também causou muita discussão. Os movimentos foram para tirar do deputado Gilsinho Lopes (PR) da presidência do colegiado. A situação foi contornada depois de pressão popular.
Os projetos do governo do Estado voltados para a Educação foram os que mais atraíram a participação popular, embora o governo não esperasse isso. A comunidade escolar questionou o projeto mais polêmico do semestre, o Escola Viva, que depois de cem dias em tramitação da Casa e mais de 40 emendas, foi aprovado do jeito que queria o governo, abrindo espaço para a criação de uma escola-modelo, no prédio da antiga Faesa, em São Pedro, Vitória, o que também tem causado muita polêmica, dada a forma como o processo está se desenvolvendo.
Depois da aprovação do Escola Viva, a casa mudou de postura. Se no início do semestre os deputados sinalizavam uma movimentação voltada para seus fortalecimentos com as bases, depois da mão pesada do Executivo, os deputados passaram a integrar de vez a base aliada submissa, com algumas exceções.
Os deputados Sérgio Majeski (PSDB) e Enivaldo dos Anjos (PSD) apresentaram um comportamento que destoou dos demais, se colocando contrários a projetos que iam de encontro aos interesses de suas bandeiras. Isso gerou muitos atritos entre os dois deputados e o líder do governo, Gildevan Fernandes (PV), que na defesa do governo do Estado muitas vezes subia o tom com os deputados que discordavam das situações colocadas.
Outro deputado que recentemente sentiu a mão pesada do governo foi o deputado Bruno Lamas (PSB), que também tem se posicionado contrário na área da educação. O deputado, que presidia uma comissão que investiga uso de recursos na área do Esporte, teve a prorrogação dos trabalhos rejeitadas em uma manobra que também é creditada ao líder do governo.
Enquanto Bruno Lamas investigava as obras do Kleber Andrade e do programa Campo Bom de Bola II, as apurações correram livres, mas ao pedir informações do Campo Bom de Bola I, que foi no período anterior de Hartung, o deputado foi freado.
Quanto às CPIs, os interesses políticos de algumas delas chamaram mais atenção do que a própria dinâmica do plenário. A principal delas é a CPI da Sonegação, em que o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), tem feito aparições esporádicas, sempre munido, fazendo acusações que miram o desembargador Pedro Valls Feu Rosa.
Para os meios políticos, o deputado estaria usando a comissão como um instrumento para reagir à prisão de sua mulher, a ex-prefeita de Itapemirim, Norma Ayub (DEM), em janeiro de 2013. Além dele, outros dois deputados teriam o interesse de passar a chamada “Operação Derrama” a limpo: Guerino Zanon (PMDB) e Edson Magalhães (DEM).
Já a CPI dos empenhos tem como foco o governo Renato Casagrande (PSB) e é comandada pelo deputado Euclério Sampaio (PDT), que nesta legislatura tem adotado uma postura bem diferente de suas passagens anteriores pela Assembleia. Em vez de um combativo opositor do Executivo, Euclério hoje é aliado de Hartung e tem sido importante na luta do atual governador no projeto de desconstrução de seu antecessor.
Mas Euclério não é o único, a relação da atual Assembleia com o Executivo tem sido como um todo bem dócil com o governo do Estado. Desde a permissão para mexer no Orçamento sem a consulta à Casa à aprovação da LDO sem a contemplação de pleitos dos demais poderes, acreditando em um projeto de alteração em setembro, os deputados frustraram a impressão inicial de uma Assembleia menos submissa e mais ativa.