A reunião da CPI dos Empenhos que seria nesta quarta-feira (25) não aconteceu. Nos bastidores, o comentário é que houve um acordo entre os membros da comissão para que a reunião fosse cancelada. Isso porque a base aliada queria ganhar tempo para tentar convencer o relator Euclério Sampaio (PDT) a mudar o relatório.
A intenção dos deputados palacianos seria incluir no relatório, que indiciou cinco ex-secretários do governo passado, o ex-governador Renato Casagrande (PSB). Euclério Sampaio estaria irredutível, o deputado já disse que não há possibilidade de mudar o relatório no sentido de incluir o socialista no rol de denunciados pela CPI.
Na reunião da semana passada, quando Euclerio Sampaio fez a leitura do relatório, o deputado Erick Musso (PMDB), vice-líder do governo, pediu vista do relatório. A justificativa foi a chegada à Comissão de um ofício do ex-secretario de Fazenda do governo Casagrande, Maurício Duque, um dos denunciados, apresentando defesa e pedido a exclusão de seu nome do relatório.
Nesta quarta, Musso teria que apresentar seu parecer e votar no relatório pela aprovação ou rejeição. Também para esta quarta, a expectativa era de que o presidente do Colegiado, o líder do governo Gildevan Fernandes (PMDB), apresentasse as tais “denúncias novas” que disse ter recebido e que seriam a justificativa para o pedido de prorrogação da CPI até 8 julho.
Nos meios políticos, a impressão sobre o cancelamento da reunião é de que a base do governo Paulo Hartung quer ganhar tempo, porque ainda não teria nenhum elemento que justificasse novas investigações, muito menos “criado” o fato novo que permitiria a inclusão do nome do ex-governador no relatório.
Se a reunião de hoje fosse realizada, Musso não poderia mais segurar o relatório com novo pedido de vista. Se Gildevan não apresentasse as novas denúncias nem um relatório divergente, caberia a outro membro da CPI pedir vista, incumbência que seri do deputado Dary Pagung (PRP).
Essa movimentação teria exposta ainda mais a CPI, que ganhou um viés político desde sua criação na Casa. Para interlocutores palacianos, essa seria uma manobra para tentar justificar uma futura rejeição de contas do ex-governador Renato Casagrande. A estratégia seria a de indiciá-lo por despesas sem empenhos que teriam ocorrido em 2014.
Com o cancelamento da reunião, a intenção da base governista seria a de poupar os parlamentares da exposição. A manobra palaciana, porém, não estaria surtindo efeito sobre o relator, que parece decidido a não alterar seu relatório por causa de pressões palacianas.

