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Deputados repercutem crise na segurança em sessão da Assembleia Legislativa

Era para ser uma solenidade festiva. Depois de muita articulação para a escolha do novo presidente da Casa, a expectativa era de que a sessão solene de instalação dos trabalhos na Assembleia Legislativa, na tarde desta segunda-feira (6), fosse marcada por discursos de boas-vindas ou congratulações à nova Mesa Diretora. Mas o clima não foi favorável.

Os hinos Nacional e do Espírito Santo, que geralmente são executados pela Banda da PM, dessa vez foram acompanhados ao som do áudio da Casa. Entre as autoridades, apenas os presidentes do Tribunal de Justiça, Annibal Rezende, e do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Aboudib. Representando do Executivo, o secretário-chefe da Casa Civil, José Carlos da Fonseca Júnior chegou ao local com quase uma hora de atraso.

O deputado Marcelo Santos (PMDB), novo vice-presidente da Casa, foi quem falou em nome da Mesa Diretora. Em um tom desconfortável, ele parabenizou os colegas e afirmou que a Assembleia é importante para ajudar o governo a enfrentar a crise.

Euclério Sampaio (PDT) foi o primeiro a falar sobre o caos instalado no Estado desde o último sábado (4). Ele destacou que o governo deve receber os policiais e chegar a um acordo para estancar a onda de violência que tomou conta do Espírito Santo.

A partir daí, os deputados se revezaram no microfone da tribuna para cobrar um novo comando na Segurança. Um claro recado ao secretário André Garcia. José Esmeraldo (PMDB) afirmou que é hora de o secretário parar de aparecer na TV e mostrar mais ação. Disse que essa é a expectativa da população. Freitas (PSB) lembrou que até poucos dias o Estado comemorava a queda no número de homicídios, tentando chamar a atenção para a contradição.

O deputado Josias Da Vitória (PDT), que é representante da categoria na Casa, também destacou que o diálogo, que o governo defende, não está acontecendo. “Não vai ser a Força Nacional ou Exército que vai resolver este problema. O que vai resolver este problema é o diálogo do governo do Estado. Não cabe mais este secretário [Garcia] tentar falar com os nossos policiais, pois ele não consegue. É preciso que o governo do Estado estabeleça um diálogo e resgate os valores de nossa instituição, que está pagando uma conta que não é dela. Chega! Não pode mais ter uma secretaria que requisita de ações emergenciais como esta. O secretário errou e precisa pedir desculpas ao povo capixaba. Uma simples agenda com outro interlocutor do governo resolveria esta situação”, disse o deputado.

Assim como o deputado Gilsinho Lopes (PR), o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) foi mais comedido nas críticas, afirmando que a polícia também deve ceder diante do caos instalado nas ruas. Enivaldo dos Anjos manifestou  apoio ao movimento dos policiais militares por melhores condições de trabalho e melhorias salariais, mas fez um apelo ao bom senso e ao equilíbrio, tanto da categoria quanto do governo.  “A população está se tornando refém dessa situação”, destacou.

O deputado Sérgio Majeski (PSDB) questionou a demora na transmissão do cargo ao vice-governador César Colnago (PSDB). O governador Paulo Hartung (PMDB) se internou para uma cirurgia na sexta-feira (3), em São Paulo, e Colnago só assumiu o governo na noite de domingo (5), transparecendo que a interinidade foi assumida às pressas, após o governo se ver pressioado pela crise.

“O governo do Estado do Espírito Santo ficou sexta, sábado e domingo sem governador, quem estava respondendo por esse Estado nesses três dias? E não adianta dizer que as pessoas não sabiam o que estava acontecendo, porque desde a quarta-feira (1) à noite circulava nas redes sociais que os policiais estariam se mobilizando”, afirmou o deputado.

Ao fim da sessão, os deputados definiram a criação de uma comissão de deputados que vai acompanhar as negociações entre PM e governo na busca de uma saída para o impasse.

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