A ausência do presidente da Assembleia Legislativa Theodorico Ferraço (DEM) ao almoço promovido pelo governador Paulo Hartung (PMDB) nessa segunda-feira (2), com os deputados estaduais, foi vista nos meios políticos como um recado do demista por sua falta de vontade em se aproximar do Palácio Anchieta. Embora mantenham a postura submissa, os deputados que compareceram à comilança saíram decepcionados com o discurso do cofre vazio do governador.
O almoço serviu para que o governador apresentasse o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2017 (LDO), que chegou ao legislativo na tarde dessa segunda. Mas a expectativa de orçamento enxuto e a repetição do discurso do cofre vazio e “Estado quebrado” foram interpretadas como um recado de que os deputados não vão ter suas demandas nas bases atendidas, o que pode prejudicar seus projetos políticos, tanto para aqueles que disputarão a eleição municipal este ano como para os que trabalham para a disputa de 2018.
Não estiveram na reunião os deputados Almir Vieira (PRP), que está em licença médica; Sandro Locutor (PPS), que está em representação da Unales, em Sergipe; Hércules Silveira (PMDB), Euclério Sampaio (PDT) e Hudson Leal (PTN). Mas as ausências que realmente chamaram a atenção foram a do primeiro secretário da Mesa Diretora, Enivaldo dos Anjos (PSD), que alegou estar concluindo a restituição do Imposto de Renda, e o presidente da Casa, Theodorido Ferraço (DEM).
Nenhum dos dois parecia interessado em comparecer ao almoço. Enivaldo nunca foi o deputado favorito de Hartung, e com sua campanha à prefeitura de Vitória, o deputado fica fora do controle palaciano, que teria o interesse na eleição de Amaro Neto (SD).
No momento em que Ferraço tenta emplacar seu quarto mandato à frente da Mesa Diretora da Casa, o demista diz que não compareceu ao encontro por causa de compromissos no sul do Estado. Mas não convence o mercado político, principalmente se levar em conta o encontro desconfortável entre o governador e o deputado na noite dessa segunda-feira, na posse da Procuradora-chefe de Justiça, Elda Spedo. Os dois não se falaram durante a solenidade.
Ferraço tem uma série de demandas pendentes com o governador e sua ausência no almoço seria um recado para os meios políticos de sua falta de interesse em reatar laços com o Palácio Anchieta.
Entre os que foram, o destaque foi o deputado Sérgio Majeski (PSDB), que criticou a postura do governador ao apresentar de forma genérica o projeto enviado para a Assembleia. Em entrevista ao jornal ES Hoje, o deputado disse que o recado subentendido pelos deputados foi de que eles não deveriam “atrapalhar” o governo, aprovando os projetos do jeito que chegam à Casa.
Na sessão ordinária, o recado pareceu muito bem entendido pelos deputados, que rejeitaram o projeto de Majeski, que previa a votação das emendas da LDO uma a uma, sem fechar blocos de emendas. A maioria rejeitou a matéria. Os deputados também rejeitaram a proposta do tucano que previa a convocação dos secretários que não responderem aos pedidos de informação dos parlamentares, como tem se tornado uma prática no atual governo.

