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Desarranjo em Guarapari põe em risco aliança PSB-Rede em outros municípios

O episódio do rompimento da Rede com o PSB na construção de um palanque comum em Guarapari está sendo vista nos meios políticos como um reflexo de problemas internos dessa aliança em outros municípios do Estado. Problemas como os de Guarapari extrapolam as articulações entre os dois partidos em nível estadual e têm causado mal-estar no ninho socialista. Conforme publicado por Século Diário nessa terça (13), a Rede rompeu a aliança com o PSB e anunciou Ricardo Rios como pré-candidato a prefeito de Guarapari, pegando de surpresa o pré-candidato socialista Gedson Merízio, que vinha apostando na aliança. 
 
A expectativa de que as siglas andem juntas nos pleitos municipais não estaria sendo atendida a contento por parte da Rede. Fontes ligadas ao PSB estadual afirmam que dentro do partido há um descontentamento com a falta de posicionamento das lideranças da Rede para a consolidação dessa aliança mais ampla. 
 
A aproximação mais intensa entre PSB e Rede teve início com a vinda da principal liderança nacional do partido ao Estado, a ex-senadora e presidenciável Marina Silva, no mês passado, quando a parceria com o ex-governador Renato Casagrande foi consolidada para a esta eleição. 
 
O primeiro passo foi a articulação para o apoio ao palanque do prefeito Audifax Barcelos, que busca a reeleição na Serra pela Rede. Aliás, única chance real de o partido vir a conseguir uma vitória na disputa de uma grande prefeitura no Estado. Nos bastidores teria ficado acordado que Audifax ajudaria a também articular a parceria em outros municípios, mas o prefeito vem sendo consumido pelo processo eleitoral local e não tem conseguido cumprir esse compromisso. 
 
Se na Serra, o processo de parceria está pacificado com a desistência de Bruno Lamas e a provável indicação de Marcia Lamas para a vice de Audifax, em outros municípios o cenário não é o mesmo. Em Vitória, por exemplo, o porta-voz do partido, Gustavo de Biase, vem levantando a lebre de que ele poderia ser o vice no palanque do PSDB, de Luiz Paulo Vellozo Lucas. Ele faz questão, sempre que tem oportunidade, de colocar a aliança com o PSB em dúvida, relutando em assumir um posicionamento definitivo com o palanque do prefeito Luciano Rezende (PPS), que disputa a reeleição.
 
A movimentação de Biase vai de encontro a esse interesse e não teria um objetivo concreto da vice e sim aumentar a musculatura para a disputa à Câmara de Vitória, com poucos nomes para a disputa proporcional na Capital, a Rede não é um parceiro desejado pelos partidos de olho nas 15 cadeiras do Legislativo municipal, já que estariam ajudando o partido a eleger De Biase a vereador e não traria ganhos para as outras siglas. 
 
Essas movimentações de lideranças da Rede arredias à parceria com o PSB teriam influenciado a crise em Guarapari. O partido vinha trabalhando em conjunto com os socialistas na construção do palanque puxado pelo vereador Gedson Merizio (PSB), mas mudou o rumo ao anunciar candidatura própria, alegando falta de espaço no palanque. 
 
Neste sentido, dentro do PSB o discurso é de cobrança de posicionamento e enquadramento dos integrantes da Rede insatisfeitos com a parceria firmada pelos caciques dos partidos para que o acordo não seja quebrado. Em jogo está muito mais do que a disputa em Guarapari. Pelo lado do PSB é uma importante parceria para garantir uma base política para Renato Casagrande no jogo político estadual, mas a parceria, sobretudo na Serra, é ainda mais vantajosa à Rede, que sem Casagrande e o PSB isolaria Audifax na disputa com o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), que seria o candidato palaciano.

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