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‘Desistência’ de Haroldo a convite do MEC pode ter o dedo do DEM

Articulação do DEM estaria por trás da “desistência” do economista Haroldo Rocha em assumir a Secretaria-Executiva do Ministério de Educação e Cultura (MEC). Convite recusado nessa quarta-feira (20), ele se mantém no cargo de secretário de Estado de Educação. 

 

Quanto ao contabilista e empresário Aridelmo Teixeira, que assumiria o lugar de Haroldo na Sedu, tem lugar garantido na equipe de Hartung. Aridelmo é cofundador da faculdade de adminstração Fucape Business School e presidente da ONG ES em Ação, organização de líderes empresariais apoiadores do governo.

 

Em Brasília, o partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), pressionou para se manter no comando da pasta, assumido desde que Michel Temer chegou ao poder, com o deputado Mendonça Filho, que saiu para ser candidato, provavelmente ao governo de Pernambuco, e indicou Rossielli Soares como ministro, também do DEM, para um mandato-tampão até o final do atual governo. 

 

Haroldo entraria no lugar de Maria Helena Guimarães de Castro (PSDB), que deixou a secretaria-executiva no final de maio passado, depois da saída de Mendonça Filho. Ela era indicação do PSDB, que deixou a base do governo, e chegou a ser cotada para assumir o Ministério, mas o cargo acabou nas mãos de Rossielli.  

 

Cotado para ocupar o lugar de Maria Helena, por seu perfil técnico, mas, principalmente, por fazer parte de um governo que funciona como núcleo experimental da “nova política” privatista em curso no Brasil, Haroldo foi barrado nos altos escalões de Brasília, depois de anunciado tanto no Estado como pelo próprio ministro da Educação.

 

O “desconvite” ao secretário foi formulado na terça-feira (18), por meio da informação de que ele não assumiria a Secretaria-Executiva, onde seria o número dois, uma espécie de “vice-ministro”. Ficaria com a Secretaria de Ensino Superior, fora, portanto, da área do ensino médio. O Ministério da Educação informou, nesta quinta-feira (21), que não há ainda outro nome escalado para o cargo.

 

As articulações políticas que motivaram a desistência do secretário de Educação desvirtuam do discurso do governador Paulo Hartung que enfatiza sua influência no cenário político nacional, destacando sua capacidade de formar quadros essenciais à gestão pública.

 

Além da pressão do DEM, pesou ainda nas alterações que motivaram a “desistência” de Haroldo Rocha, a rejeição do magistério capixaba de vários outros estados ao programa Escola Viva, implantado com ele à frente da Sedu. O governo busca, de toda forma, reduzir os núcleos de tensão, a fim de contornar a baixíssima popularidade do presidente Temer. 

 

Um dos mais recentes manifestos da classe, divulgado em fevereiro de 2018, afirma que desde 2015 a política educacional no Espírito Santo vem se constituindo a partir de gestão centralizadora, autoritária e de ações articuladas com a iniciativa privada, ampliando as parcerias público-privadas.

 

O texto dos professores aponta para uma contribuição “ à implementação da privatização do ensino público, para a precarização do trabalho docente e, principalmente, para a perda da autonomia dos professores”.

 

O modelo de gestão adotado no Espírito Santo, segundo o manifesto, tem imposto autoritarismo didático e de conteúdos às escolas, que desconsideram saberes e fazeres dos professores/as e trabalhadores/as da educação. “Desde 2015 houve redução dos investimentos na educação em 68%, fechamento de 41 escolas públicas e de 6.507 turmas, deixando mais de 60.000 crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola”.

 

Haroldo Rocha é ligado ao governador Paulo Hartung desde os tempos em que eram acadêmicos na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Já exerceu vários cargos públicos, demonstrando capacitação técnica, e tentou inserir-se na política eleitoral.

 

Filiado ao MDB, em 2012 compôs a chapa com o PSDB como vice-prefeito de Luiz Paulo Vellozo Lucas. Nas eleições de 2014, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não obteve êxito. 

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