A desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (PSB) da corrida ao Planalto, anunciada nesta terça-feira (8), e o possível apoio ao presidenciável Ciro Gomes (PDT), deixa o partido presidido pelo deputado federal Sérgio Vidigal no Espírito Santo em uma situação no mínimo desconfortável.
Após Barbosa ter formalizado a desistência de concorrer à Presidência da República, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, sinalizou como mais provável, agora, intensificar a articulação na direção do palanque de Ciro Gomes (SP). Os dois partidos se reúnem na próxima semana para tratar do assunto.
Ocorre que o PSB tem candidato próprio ao governo do Estado, o ex-governador Renato Casagrande, principal oposição ao governador Paulo Hartung nas eleições deste ano. O PDT, por seu lado, mantém aliança com Hartung, que em suas articulações já sinalizou até para ser o vice em sua chapa o próprio Vidigal.
Caso se confirme essa aliança em nível nacional entre PSB e PDT, o diretório capixaba, liderado pelo deputado federal, seguirá na contramão do projeto nacional.
O ministro aposentado do Supremo era visto como alguém de fora, um outsider que, avesso à velha política, talvez conseguisse alçar a legenda a um patamar nunca antes conquistado.
Em nota divulgada após o anúncio de Barbosa, Siqueira disse que a desistência estava entre as “possibilidades dos termos da pactuação realizada em sua filiação, no último dia 6 de abril, que possibilitava ao PSB não conceder legenda a Barbosa, e que este, por sua vez, não assumia a obrigação de se candidatar. Tratava-se, desde o princípio, portanto, de uma construção pautada pelo respeito mútuo entre as partes”, apontou Siqueira.
O ministro aposentado era tido como um dos nomes mais fortes nas eleições deste ano na disputa à Presidência da República. Conhecido em todo o Brasil como relator do processo que ficou conhecido como Mensalão do PT, era visto nas pesquisas de opinião como um candidao com chances de vitória. Nos dois mais recentes levantamentos, ele apareceu em segundo e terceiro lugares no ranking dos preferidos pelo eleitor, mesmo sem se declarar candidato à Presidência da República.
“O PSB segue doravante, com serenidade, na tentativa de contribuir para a construção de alternativas para o País, que contemplem os amplos clamores populares, pela renovação da prática política, algo que a possibilidade da candidatura do ministro Joaquim Barbosa tão bem representou”, destaca a nota do PSB.

