
No encontro com governadores de todos os estados, na tarde desta quinta-feira (30), em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff fez questão de explicar por que a arrecadação despencou e as receitas reduziram nos estados e na União. A queda no preço das commodities e o aumento do dólar, segundo a presidente, foram os dois principais vilões que jogaram o País no buraco, que enfrenta novamente o fantasma da inflação.
Apesar do cenário caótico, Dilma demonstrou otimismo e disse que está cheia de energia para vencer a crise. Ela fez um apelo aos governadores para ajudá-la a superar esse difícil momento. A presidente lembrou que todos terão que cumprir seus mandatos até 2018 e não interessa a ninguém que o país siga mergulhado na crise.
“Tudo isso não é desculpa para ninguém: é o fato de nós, como governantes, não podemos nos dar o luxo de não ver a realidade com olhos muito claros. Não podemos nos dar o luxo de ignorar a realidade”, disse a presidenta. “Não nego as dificuldades, mas afirmo que o governo federal tem todas as condições de enfrentar as dificuldades, os desafios e, em um prazo bem mais curto que alguns pensam, assistir a retomada da economia brasileira”, afirmou Dilma.
Na fala de cerca de meia-hora, a presidente procurou transmitir força aos governadores e ministros que acompanhavam o discurso. Disse estar preparada para suportar pressão. “Eu, pessoalmente, sei suportar pressão e até injustiça e isso é algo que qualquer governante tem que se capacitar e saber que faz parte da sua atuação. Tenho ouvido aberto, enquanto razão, e o coração, enquanto sentimento, para saber que o Brasil que cresceu e não se acomoda é o Brasil que nós queremos, que sempre quer mais”.
Mantendo o tom otimista, Dilma assegurou a inflação vai recuar até meados de 2016 e que o país retomará o rumo do crescimento. A presidente quis tranquilizar os governadores que o ajuste fiscal e os programas lançados pelo governo são estratégias acertadas que farão a economia reagir.
“O estímulo à exportação, o investimento em infraestrutura, a retomada do crédito e a expansão do consumo vão fazer o Brasil voltar a crescer”, afirmou.
Um “estranho” no ninho
Antes da reunião com a presidente Dilma, os governadores tucanos Geraldo Alckmin (São Paulo) e Beto Richa (Paraná) puxaram uma reunião com os demais governadores do PSDB: Marconi Perillo (Goiás), Simão Jatene (Pará) e a vice-governadora do Mato Grosso do Sul, Rose Modesto, que representou Reinaldo Azambuja.
O que chamou atenção na reunião dos tucanos é que havia um “estranho” no ninho. Paulo Hartung foi o único governador não tucano convidado para reunião.
A conversa prévia, antes de ouvir Dilma, serviu para afinar o discurso dos governadores. Eles discutiram basicamente sobre as novas regras proposta pelo governo federal para o ICMS. Marconi Perillo destacou que se a proposta do fundo de compensação das pernas não ficar muito bem esclarecida, não é possível iniciar a discussão.
Os governadores também querem autonomia da União para que os estados possam contrair empréstimos diretamente no exterior.