As chapas proporcionais nos palanques definidos para as eleições deste ano podem levar a uma distribuição igualitária do plenário da Assembleia na legislatura que se inicia em 2015. A expectativa é de que o vencedor da eleição ao governo enfrente oposição de metade do plenário. Esse quadro acirrado, no entanto, não deve prosperar por muito tempo. Afinal, a tendência da Assembleia nos últimos 12 anos é de composição com o Executivo.
No palanque de Paulo Hartung (PMDB), as três pernas de estadual somadas podem eleger de 12 a 16 deputados estaduais. Os partidos se dividiram equilibradamente nas subchapas e a perna formada pelo PMDB, DEM e PEN, que hoje somam 10 deputados estaduais na Assembleia, pode manter esse número de deputados, embora a tendência é de renovação entre os nomes que estão fora do mandato e vão disputar as eleições este ano.
No PMDB, sete deputados disputam a eleição. Marcelo Santos é um dos favoritos, mas não terá as bênçãos do candidato ao governo do seu partido. Vai contar com apoio de Renato Casagrande. O deputado também aposta no desempenho ruim do prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia, o Juninho (PPS), com quem disputou as eleições 2012. O mau momento de Juninho pode favorecer Marcelo Santos na conquista de votos em Cariacica.
Já a deputada Luzia Toledo foi uma das primeiras a aderir ao palanque de Hartung e receberá seu apoio para a disputa. Hércules Silveira tem um público cativo em Vila Velha, por isso, não depende de suportes para disputar a eleição.
Esmael Almeida, que entrou na suplência, também tem fidelidade a Casagrande, contará agora com a estrutura da Câmara de Vitória, já que o filho, Davi Esmael (PSB), com a desincompatibilização do presidente da Casa, Fabrício Gandini, vice de Casagrande, vai passar a presidir a Casa.
Paulo Roberto tem dificuldades no norte do Estado, onde disputa com Freitas e o ex-prefeito de São Mateus, Lauriano Zancanela. Já o deputado José Esmeraldo é uma incógnita. A deputada Solange Lube, ex-prefeita de Viana, pode ser um instrumento de vingança do ex-governador Paulo Hartung contra o atual prefeito do município Gilson Daniel (PV), que assumiu o papel de articulador de Casagrande com os prefeitos do interior.
No DEM, o deputado Atayde Armani tem uma situação complicada, já que em sua principal base, Santa Maria de Jetibá, outros quatro nomes estão na disputa. O deputado e presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço, tem problemas na Justiça, mas se não for atingido tem a reeleição garantida. Já o deputado Elcio Alvares vai depender do apoio do ex-governador Paulo Hartung.
Além desta chapa, o grupo formado por PRP e Pros pode eleger de dois a três deputados estaduais. Neste grupo, o PRP, que monta uma chapa sem campeões de votos, precisa de pouco mais de 12 mil votos para eleger um deputado. Neste sentido, Dary Pagung é uma das apostas entre os deputados com grande chance de reeleição.
Em 2010, ele teve cerca de 13 mil votos e se elegeu. O partido elegeu ainda Henrique Vargas, também nesta faixa de votação. Já PSDB e o Solidariedade também podem fazer de duas a três cadeiras na Assembleia. O deputado Marcus Mansur, que entrou na suplência, aumentou sua base e tem chances de reeleição.
Já o palanque de Renato Casagrande, tem quatro pernas de estadual e tem chances de garantir de 13 a 16 cadeiras no plenário da Assembleia. A perna com maior chance é a formada por PPS, PSD, PSB e PMN. O grupo hoje tem quatro deputados e os socialistas Freitas e Glauber Coelho têm grandes chances de retornar à Assembleia em 2015, assim como o deputado Sandro Locutor (PPS). Esse grupo, ao todo, pode eleger de seis a oito deputados estaduais.
A chapa formada por PV, PSC, PR, PPL vai lançar 90 candidatos e pode conseguir três vagas na Casa, uma chapa confortável para do deputado Gilsinho Lopes do PR.
PTdoB, PP, PTN, PTB e PSL deve eleger de dois a três deputados. Jamir Malini e José Carlos Elias estão no grupo. Em Linhares, os rumores de que Elias pode não disputar a eleição aumentam as chances de nomes novos chegarem ao Legislativo.
A última perna, formada por PRB, PTC, PRTB, PSDC, PCdoB e PHS, não tem representação na Assembleia, mas pode garantir de duas a três vagas, levando novidades ao plenário.
Além dos dois palanques, o PT e PDT podem eleger de cinco a sete deputados estaduais. Josias da Vitória é o nome no grupo em situação mais tranquila. Euclério Sampaio é outro nome do PDT com grandes chances, mas é preciso saber até que ponto a bandeira da Terceira Ponte será eficiente em sua campanha. Luiz Durão é um nome forte também, mas lida com o ônus da má gestão de seu aliado Nozinho Correia à frente da Prefeitura de Linhares. Já a deputada Aparecida Denadai terá dificuldades em conseguir a reeleição.
No PT o nome mais forte é o do deputado Rodrigo Coelho. Mesmo com o cenário pulverizado no Sul, ele concentra condições de reeleição. Já o deputado Genivaldo Lievore, em Colatina, terá dificuldade por conta da polarização com Da Vitória. Lucia Dornellas vai depender do empenho do candidato a deputado federal Helder Salomão em sua campanha para atrair votos dos cariaciquenses. O campo de Lúcia também é disputado pelo ex-secretário de Turismo do Estado, Alexandre Passos, que pode ameaçar sua cadeira. Com Cláudio Vereza e Roberto Carlos fora da corrida à reeleição, a disputa entre os petistas que pleiteiam uma cadeira do Legislativo estadual fica menos acirrada.