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Dois Espíritos Santos

Qual a semelhança entre a eleição da Ordem dos Advogados do Espírito Santo, seccional Espírito Santo (OAB-ES) e o processo eleitoral de 2014? As duas disputas apontaram para o mesmo cenário: a diferença entre o eleitor da Grande Vitória e o do interior. Como se houvesse dois Espíritos Santos. 
 
Na eleição da OAB-ES, o candidato José Carlos Rizk Filho teve cem votos a mais que Homero Mafra em Vitória. Ainda na Grande Vitória, Rizk bateu Mafra em Cariacica, e perdeu em Serra e Vila Velha.O atual presidente da Ordem compensou os votos que perdeu no interior, onde manteve sua supremacia na maioria das subseções. Em 2014, houve divisão também. O então governador Renato Casagrande (PSB) teve vantagem na Grande Vitória, mas perdeu no interior, onde o recall de Paulo Hartung (PMDB) foi maior. 
 
Neste sentido, a derrota em Vitória é simbólica para Mafra, como foi para Hartung perder na GV. Apesar de o eleitorado da Ordem ser homogêneo, pois se trata de uma eleição de classe, há a clara percepção de que o acompanhamento da sociedade em relação às relações políticas que se desenrolam no Estado é diferente. A questão geográfica acaba pesando. Na disputa ao Palácio Anchieta, Casagrande criticava Hartung por fomeentar a concentração de investimento na GV e em detrimento do interior. Homero Mafra também foi muito criticado pelos adversários por “abandonar” as subseções do interior, mas acabou vencendo na maioria deleas, a exemplo de Hartung. 
 
Assim como a classe dos advogados que têm uma maior atuação na Capital e nos municípios maiores, o poder também se concentra na região, por isso, as informações circulam mais facilmente e como o eleitor está mais próximo do processo, ele formula com mais independência. 
 
No interior, os processos eleitorais dependem mais da influência das lideranças locais e há dificuldade em se quebrar essa dinâmica. Neste sentido, a erleição da Ordem serviu como exercício para as lideranças políticas observarem a movimentação do eleitorado, que ainda segue a tendência de 2014. 
 
Neste sentido, coloca-se a movimentação para tentar quebrar a concentração do poder na Grande Vitória. Tanto que uma as propostas de Rizk era descentralizar a Ordem. Casagrande também assumiu o governo em 2011 com a proposta de descentralização do Poder, mas em quatro anos de governo não conseguiu garantir essa capilaridade. De qualquer forma, ficou a dica para os pleitos futuros. 
 
Fragmentos:
 
1 – O vereador Luiz Emanuel Zouain vai apresentar sua defesa nesta segunda-feira (23) e diz que vai provar que teve motivos para deixar o PSDB e se filiar ao PPS. Pelo jeito, a novela envolvendo o vereador e ninho tucano não tem fim mesmo. 

 

2 – Alguns vereadores da Capital afirmam que essa visibilidade toda sobre a obstrução aos projetos do prefeito Luciano Rezende (PPS), ocorrida na quarta-feira (18), teria sido promovida pelo próprio Executivo para pressionar a Câmara. 

3 – É que Luciano Rezende quer aprovar alguns projetos a qualquer custo e os vereadores não estão aceitando. O fato é que a relação entre a prefeitura e o legislativo não anda boa já faz bastante tempo. 

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