A ida do governador Paulo Hartung a Brasília nessa terça-feira (17) foi envolta em mistério. Oficialmente, o governador se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Elizeu Padilha, para debater o retorno das atividades da Samarco. Mas o almoço com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), indica que a viagem também teve conotação política.
Nos meios políticos locais, a expectativa criada nessa terça foi de que Hartung teria ido a Brasília para bater o martelo sobre sua migração para o DEM. E seus interlocutores se adiantaram em dizer que houve um avanço nessa conversa. Mas o encontro teria outra intenção além do flerte com o DEM.
Segundo informações de bastidores, Hartung teria se encontrado com Maia em uma tentativa de pressionar o governo federal. Em vias de a Câmara dos Deputados votar uma segunda denúncia contra o presidente da República Michel Temer (PMDB), a ideia seria a de fortalecer o presidente da Câmara e mandar um recado para o governo federal. Recado que também teria sido transmitido a Padilha.
O governador teria se queixado a Padilha sobre o trânsito excessivo de ministros ao Estado levados pela senadora Rose de Freitas (PMDB). As constantes visitas estão deixando o governador em uma situação delicada, pois fortalecem a parlamentar, que está disposta a disputar o governo do Estado em 2018.
Nessa segunda-feira (16), o governador desmarcou um almoço com o ministro da Saúde, Ricardo Bastos, que veio ao Estado para uma ampla agenda de visitas a unidades de saúde na Grande Vitória. O governador não gostou de saber que Rose de Freitas participaria do almoço e preferiu fazer um encontro com colunistas sociais do Estado.
Por isso, entre as conversas sobre embaraços ambientais para o retorno às atividades da Samarco, o governador teria pedido um basta nas idas e vindas de ministros ao Espírito Santo como uma forma de neutralizar a senadora do PMDB.

