Estudantes de três escolas estaduais de São Mateus, norte do Estado, ocuparam a Superintendência de Educação no município nesta segunda-feira (7). Eles pretendem passar a noite no local e só vão desocupar o prédio depois que o responsável pela Superintendência conversar com o grupo. Isso, porém, não garante a desocupação, já que os estudantes querem a garantia de que a escola não vá abrigar o programa Escola Viva, do governo do Estado. Pela manhã, durante o protesto, um dirigente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) de São Mateus foi detido após convocar plenária com estudantes.
Os estudantes seguiram então para a porta do DPJ e fizeram um protesto que culminou com a liberação do militante. A entidade publicou uma nota em sua página no Facebook repudiando a ação. “A PM agiu de forma hostil e truculenta desrespeitando os princípios democráticos que determinam a constituição e agredindo o militante. É importante frisar que essa vem se tornando uma prática comum no Espírito Santo, o que deixa evidente que o governo do Estado é despreparado para o diálogo e governa com um viés autoritário e sem participação da sociedade. A UESES e UMES repudiam tal ato e reiteram que tomarão as medidas necessárias para resguardar os seus dirigentes e militantes das atrocidades promovidas pelo governo Hartung”, diz a nota.
Os estudantes que participam do protesto são de três escolas: Wallace Castelo Dutra; Santo Antônio e Maria Mota. Esta última despertou o interesse do governo do Estado para a implantação do programa Escola Viva, mesmo tendo a comunidade escolar, em assembleia, rejeitado a proposta.
A escola tem 1,3 mil alunos e como o projeto não atende a essa quantidade de estudantes, o excedente seria transferido para as outras duas escolas. Daí a adesão ao protesto das outras unidades. Segundo a dirigente da Umes e presidente do grêmio da escola Santo Antonio, Miriam Martins, os estudantes estão fazendo plenárias e eventos culturais para passar a noite. Ela disse ainda que há uma promessa de que o representante da Superintendência vá conversar com os alunos na manhã desta terça-feira. O expediente em São Mateus nesta segunda foi suspenso devido à morte do secretário de Meio Ambiente do município, Antenor Malverdi Filho. O governo do Estado implantou o Escola Viva em junho deste ano em um projeto piloto, na antiga faculdade Faesa, em São Pedro, Vitória. Mas na peça orçamentária de 2016 existe previsão para criação de três a cinco novas unidades do programa.
Duas delas já foram anunciadas. No Expediente da Assembleia Legislativa desta segunda foi lido o Projeto de Lei nº 487/2015, que cria o Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral Joaquim Beato, no Município da Serra, onde funcionará a nova unidade. É uma escola nova, prevista para ser inaugurada em abril de 2016.
Outra unidade do projeto será implantada na Escola Estadual Bráulio Franco, que aderiu ao programa por meio do edital de credenciamento n° 017/2015, e passará a chamar Centro Estadual de Ensino Médio em Tempo Integral Bráulio Franco.
Em Colatina, o governo tenta implantar o projeto na escola Conde de Linhares, mas há resistência dos alunos, já que a comunidade escolar rejeitou o projeto, preferindo a manutenção dos cursos profissionalizantes que a escola oferece.

