De passagem por São Mateus, norte do Estado, nessa segunda-feira (7), o secretário da Casa Civil do governo do Estado, Paulo Roberto, se reuniu com o movimento estudantil que ocupa a Superintendência de Educação do município.
Na verdade, o secretário foi acompanhar o sepultamento do secretário de Meio Ambiente do município, Antenor Malverdi, assassinado nesse fim de semana, mas recebeu ordem do governador Paulo Hartung (PMDB) para conversar com os estudantes.
No encontro, segundo o presidente da União dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo (UESES), Luiz Felipe Costa, que acompanha o movimento, o secretário reafirmou que o governo vai implantar o Escola Viva na escola Maria Mota, independentemente da vontade da comunidade escolar.
Os estudantes também reafirmaram a posição de rejeitar o programa. Eles prometem manter a ocupação da Superintendência de Educação enquanto continuar o impasse. Ao fim do encontro, Paulo Roberto prometeu buscar um encontro do movimento estudantil e da comunidade escolar com o subsecretário de Estado de Administração e Finanças, Eduardo Malini. Mas até o momento nada foi confirmado.
Os estudantes passaram a noite na Superintendência e só pretendem deixar o prédio depois que o governo abrir o diálogo sobre a aplicação do programa em São Mateus.
Segundo a presidente do grêmio da Escola Santo Antônio, Miriam Martins, a noite foi tranquila na Superintendência, houve plenárias e eventos culturais. Na página do Facebook da Ueses, estudantes de outros municípios postaram vídeos apoiando o movimento em São Mateus, que parece não ser um ato isolado.
Segundo o presidente da Ueses, Luiz Felipe, a entidade pretende aprofundar o debate sobre a forma anti-democrática com a qual o governo vem tentando implantar o Escola Viva no Estado. Ele afirma que ocupações em outras Superintendências e em escolas não estão descartadas.
Os estudantes que participam do protesto são de três escolas: Wallace Castelo Dutra; Santo Antônio e Maria Mota. Esta última despertou o interesse do governo do Estado para a implantação do programa Escola Viva, mesmo tendo a comunidade escolar, em assembleia, rejeitado a proposta.
A escola tem 1,3 mil alunos e como o projeto não atende a essa quantidade de estudantes, o excedente seria transferido para as outras duas escolas. Daí a adesão ao protesto das outras unidades.

