Tem se tornado comum na Assembleia Legislativa o embate entre os deputados Enivaldo dos Anjos (PSD) e o líder do governo, Gildevan Fernandes (PV). Os parlamentares que já trocaram farpas sobre o projeto que impede a apreensão de veículo pela não apresentação do pagamento do IPVA, voltaram ao embate na sessão ordinária na manhã desta quarta-feira (6).
O motivo desta vez foram dois requerimentos de urgência apresentados por Enivaldo dos Anjos, que foram rejeitados pelo plenário. Os requerimentos se relacionavam a dois projetos, ambos de autoria do deputado Euclério Sampaio (PDT), que tratam de pedágios cobrados pela Rodosol no Estado.
A primeira urgência foi ao Projeto de Lei 156/2014, que proíbe a duplicidade de cobrança de pedágio pelas empresas que detêm, através de contrato, concessão para administrar as rodovias do Estado. O segundo pedido de urgência era referente ao Projeto de Decreto Legislativo 8/2014,que susta os efeitos do contrato 1/98 e suas alterações, firmado entre o Governo do Estado e a empresa Rodosol.
Gildevan Fernandes defendeu a rejeição do requerimento como líder do PV. Ele foi acompanhado por Guerino Zanon (PMDB) e Dary Pagung (PRP), que também encaminharam votação pela rejeição. Enivaldo não deixou barato e retornou à tribuna com críticas aos parlamentares. “O deputado Gildevan se apresentou como líder do PV, não teve nem coragem de se apresentar como líder do Governo”, disparou.
Gildevan rebateu afirmando que a questão não é uma posição de Governo, por isso não se colocou como líder do governo. Mas aproveitou o embalo para reforçar o discurso de desgaste do governo anterior. Ele considerou “questionável” a atitude do ex-governador Renato Casagrande (PSB) de suspender a cobrança do pedágio da Terceira Ponte, em abril de 2014.
O Governo também não foi poupado: “Você vê que o Governo consegue ser incoerente nas suas ações”, destacou Enivaldo, referindo-se à aprovação da urgência do projeto que proíbe a exposição de recipientes com sal de cozinha nas mesas de restaurantes e lanchonetes. “Hoje, o líder do Governo encaminha o voto contra a urgência de um projeto de alto interesse da população. Uma empresa que não tem mostrado nenhuma competência administrativa nem moral para estar gerindo uma obra pública”, disse.
Enivaldo dos Anjos também criticou o posicionamento da própria Assembleia: “Isso é que estarrece o Poder Legislativo, que se deixa dominar por questões políticas e administrativas. Todos os projetos deveriam ser votados em regime de urgência. Nós estamos só discutindo o regime de urgência, não estamos votando o projeto. Não se pode nem votar o regime de urgência, então fecha as portas da Assembleia”, disse.

