segunda-feira, abril 6, 2026
22.7 C
Vitória
segunda-feira, abril 6, 2026
segunda-feira, abril 6, 2026

Leia Também:

Especulação sobre migração de Hartung paralisa debate político de 2018

Na última semana do ano, o governador Paulo Hartung (PMDB) conseguiu concentrar todas as atenções do mercado político, com o balanço do ano de 2016 e suas repercussões na mídia. Esta semana não foi diferente, com a especulação sobre sua possível migração do PMDB para, possivelmente, o PSDB.

Leia mais:

Iminente saída de Hartung deixa PMDB órfão de liderança no Estado

No PSDB, Hartung encontraria solução caseira para o pleito de 2018

 

O governador, mesmo, não falou sobre o assunto em nenhum momento, mas a história se espalhou e as lideranças repercutiram a iminente migração de Hartung durante toda a semana. Ele conseguiu o que queria, paralisar todo o debate político do Estado, ao mesmo tempo em que atraiu os holofotes do cenário estadual para si.

Hartung não tem pressa alguma para definir seu futuro, afinal, só precisa se filiar a um partido político seis meses antes da eleição e se desincompatibilizar para disputar outro cargo, que não o governo do Estado, em abril do próximo ano. Mas com tantas indefinições no cenário nacional, que parece ser o que lhe interessa mais, o controle dos movimentos da classe política capixaba é importante para essa construção.

No PSDB, a possibilidade de filiação de Hartung causou incompatibilidades com lideranças políticas que vêm fortalecendo a sigla, como o deputado estadual Sérgio Majeski. Gerou também problemas de acomodação para os principais nomes tucanos na disputa de 2018: o senador Ricardo Ferraço e o vice-governador César Colnago. A ida de Hartung pode causar uma verdadeira dança das cadeiras no projeto do partido. Se Hartung disputar o Senado, Ricardo Ferraço teria que disputar o governo e Colnago, que tem a senha número um para a sucessão de Hartung, seria acomodado em uma disputa de deputado federal.

No PMDB, a saída do governador enfraqueceria seus aliados, principalmente o presidente do partido Lelo Coimbra, deixando o partido órfão de lideranças políticas. O partido perderia capilaridade, já que não teria mais em seus quadros o ocupante do cargo político mais importante do Estado. O PMDB teria que se concentrar no fortalecimento da senadora Rose de Freitas, a quem o grupo de Hartung nunca tratou com a reverência merecida no partido.

Já o ex-governador Renato Casagrande (PSB) ficou ainda mais distante do jogo político com os rumores de uma possível migração de Hartung para o PSDB. Com os holofotes voltados para Hartung, coube ao socialista mergulhar, porque o debate sobre a migração de seu desafeto não abre espaço para sua participação.

Para alguns observadores, com a celeuma criada, Hartung pode permanecer no PMDB pelo tempo que lhe for conveniente, sem precisar mudar de partido. Enquanto isso, a classe política segue na indefinição sobre quando o governador vai dar o próximo passo e em qual direção. Até lá o jogo político no Estado não evolui e o governador passa ao largo de cobranças de sua gestão, desviando o foco do debate para o cenário partidário.

Mais Lidas