Após quase dois anos de queixas sobre a situação econômica, negando direitos a servidores públicos e travando os investimentos no Estado, o governador Paulo Hartung (PMDB) começa a reunir condições para pôr em prática seu “pacote de bondades” com vistas o fim do mandato em 2018. Em sintonia com o discurso que zela “as contas e as pessoas”, o governo começa a acumular uma reserva financeira para concessão de benesses, a exemplo da recente decisão pela extensão do auxílio-alimentação a todo o funcionalismo.
Apesar de atender a uma ordem judicial, o governo Hartung “vendeu” a iniciativa como uma ação de governo. O custo estimado da medida (que inclui o reajuste no valor do benefício de R$ 176 para R$ 220 mensais) é de R$ 143 milhões, mais do que suficiente para ser absorvido nas contas do governo. Em julho, o superávit orçamentário (diferença entre receitas e despesas) superou a casa de R$ 1 bilhão no acumulado no ano, de acordo com dados do Tribunal de Contas (TCE).
Segundo o relatório, a receita arrecadada até julho foi de R$ 8,65 bilhões ante R$ 8,27 bilhões no mesmo período de 2016. Já as despesas liquidadas caíram R$ 7,66 bilhões para R$ 7,65 bilhões, garantindo uma variação positiva do superávit de aproximadamente 64% (em 2016, a diferença era de R$ 611 milhões).
Na comparação com os meses de julho dos dois anos, as receitas com o ICMS foram praticamente iguais – R$ 3,07 bilhões em R$ 3,02 bilhões. Já a arrecadação com compensações financeiras, como royalties e participações da exploração de petróleo e outros recursos naturais, saltou de R$ 409 para R$ 711 milhões no período. Existe a possibilidade de o Estado conseguir mais um R$ 1 bilhão em royalties, caso seja julgada procedente uma ação que tramita hoje no Supremo Tribunal Federal (STF).
Todos esses indicadores positivos dão margem a interpretações nos bastidores de que o governador estaria inclinado a fazer algumas concessões aos servidores neste fim de ano. Apesar de ter ignorado desde o início do mandato todos os apelos para a revisão anual dos vencimentos, Hartung poderia conceder um abono salarial em dezembro. Para interlocutores, o pagamento poderia ter um duplo papel: aliviar um pouco a tensão com o funcionalismo e, ao mesmo tempo, evitar contrair despesas permanentes – já que o abono não é incorporado ao salário.
Desde que saiu do alvo da Operação Lava Jato, o governador tem retomado suas movimentações com vistas ao processo eleitoral de 2018. Hartung ainda não se pronunciou oficialmente, porém, os meios políticos não descartam uma candidatura à reeleição ou a disputa por uma cadeira ao Senado.
Após dois anos com o “pé no freio”, difundindo o discurso de ajuste fiscal, o governador passou a fazer um tour pelo interior com o anúncio de obras e ações do Estado, ainda que sem a realização de promessas de grandes investimentos. Pelo contrário, Hartung tem feito alerta aos prefeitos, pedindo que priorizem uma única obra para receber recursos do governo.

