O discurso do ministro da Defesa Raul Jungmann no novo pronunciamento que fez na tarde deste sábado (11) é semelhante ao que ele fez no final da manhã. A estratégia do núcleo de crise formado por representantes dos governos estadual e federal é mostrar que a Força Nacional e Exército estão aos poucos restabelecendo a ordem pública. Jungmann também voltou a fazer apelos diretos para que os policiais retornem ao trabalho, repetindo o discurso da manhã. O ministro também fez um apelo às mulheres dos policiais, que há uma semana acupam o acesso dos batalhões impedindo a saída de viaturas. “Não levem eles à armadilha”, aconselhou.
O primeiro a falar foi novamente o governador em exercício César Colnago (PSDB). Ele disse que depois de muito tempo de reunião e decisões estratégicas foram tomadas novas medidas, mas não especificou quais seriam essas ações. Mais uma vez o governador em exercício jogou toda a responsabilidade pelo impasse nas negociações na conta dos policiais. “Todos podem ver que a intransigência não é nossa, a grande vitima desse movimento é a população”, disse.
Jungmann também tentou mostrar a unidade entre os poderes e acabou revelando um pouco da estratégia. A ideia é manter as forças federais no Estado até o que chama de “retorno à normalidade”. Ou seja, com os homens das forças federais na rua, a lacuna aberta com o aquartelamento é fechada e a sensação de segurança aumenta.
Na reunião também estiveram o procurador-geral da União, Rodrigo Janot, a procuradora-chefe do Ministério Público Estadual, Elda Spedo, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Annibal de Rezende, que devem unir forças no sentido de imputar a responsabilidade pelo movimento aos militares grevistas, como mais uma estratégia de desmobilizar a paralisação.
Já o secretário de governo Antonio Imbassahy disse que qualquer ação para anistiar os policiais militares da responsabilidade de crime contra a Constituição não terá o apoio da base do presidente Michel Temer. Ele, como outros interlocutores dos governos estadual e federal, insistem na estratégia de ameaçar os policiais com punições cada vez mais severas com o intuito de desmobilizar o movimento. Essa estratégia ainda não teve o resultado esperado.
Convocação
No final da tarde deste sábado, a comendante da PM, coronel Nylton Rodrigues, recorreu novamente à estratégia de convocar a tropa fora dos quartéis. Isso já havia ocorrido no início da semana, logo que Nylton assumiu o comando da Corporação. O coronel ordenou que os policiais se apresentasse na praça do Papa, em Vitória, mas ninguém apareceu.
Nessa nova convocação, novamente na praça do Papa, alguns policiais teriam se apresentado. A convocação do Comando Geral ordena que os policiais se apresente para o policiamento ostensivo a pé. À tarde, alguns policiais foram avistados fazendo patrulhamento no Centro de Vitória.

