Mesmo iniciando o terceiro ano de gestão, o governador Paulo Hartung (PMDB) insiste no discurso de que recebeu o Estado quebrado e refuta qualquer tipo de movimentação que exija algum tipo de investimento, seja no gasto com pessoal ou na entrega de obras. Em meio a um ajuste fiscal interminável, o governador vem tentando pegar carona em obras federais e em algumas movimentações pontuais próprias.
Mas enquanto Hartung segue o perfil conservador, outros Estados passam à frente, superando seu modelo de gestão capixaba, que defende o cofre fechado. Segundo o ranking de saúde fiscal dos Estados, estudo desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado pelo Valor Econômico, o Espírito Santo aparece em quinto lugar com 51,9% do orçamento aplicado em pagamento de pessoal; 26,4% em pagamento de dívidas; 37,7% em caixa e apenas 4% destinados a investimentos. Uma realidade bem diferente do primeiro da lista, o Ceará, que tem 11,1% destinados ao investimento, mesmo com 49,3% comprometidos com a folha de pagamento.
Segundo o Valor, o Espírito Santo adotou uma postura mais conservadora, que a de Ceará (o mais saudável dos Estados), Piauí e Bahia, preservando o caixa em patamares elevados em detrimento do investimento. Os Estados nordestinos, que estão à frente do ES no ranking, porém, têm recursos suficientes para cobrir os imprevistos orçamentários e ainda investir.
A situação política deve mudar a abordagem do governo sobre os recursos do Estado para o segundo semestre e o próximo ano, que é eleitoral. Este deve ser um dos temas debatidos no encontro da equipe de Hartung, nas montanhas capixabas, nos próximos dias. A ideia é a de superar a crise de imagem do governo Paulo Hartung com entregas.
Mesmo que o caixa ainda não tenha o suficiente para que o governador possa vender sua ideia de excelência em gestão, ele deve intensificar as entregas a partir do próximo semestre, para garantir uma retomada de musculatura política, sobretudo, no interior do Estado.
Um complicador para essa movimentação é o desgaste do governo envolvendo suspeitas de irregularidades na Companhia de Saneamento do Estado (Cesan), que fica com seu principal filão, Vitória, prejudicado no processo depois de a Prefeitura da Capital pôr em xeque a qualidade do serviço prestado pela Cesan e ameaçar trocá-lo por uma empresa da iniciativa privada.
A venda do serviço em Vitória poderia atrair R$ 3 bilhões para os cofres do Estado e faria Hartung consolidar o discurso de que recuperou as finanças do Estado, terminando seu mandato com o cofre cheio.

