Victor Coelho reclamou do uso de canais oficiais de comunicação para criticá-lo

Nos últimos dias, o secretário estadual de Turismo, Victor Coelho (PSB), teve embates nas redes sociais com a atual administração da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado, que ele comandou de 2017 a 2024 – algo que já havia ocorrido em outras ocasiões. A gestão do prefeito interino Júnior Corrêa (Novo) – Theodorico Ferraço (PP) permanece em licença – atribuiu ao mandato anterior a responsabilidade por problemas decorrentes das fortes chuvas, e Coelho reagiu. Apesar da rivalidade, os representantes das duas gestões compõem, atualmente, o grupo político governista do Estado.
As trocas de acusações começaram no fim de semana, quando a prefeitura soltou nota oficial sobre alagamentos no bairro Nova Brasília. Em seu segundo mandato, Victor Coelho comprou várias brigas ao implementar uma grande obra de macrodrenagem, contando com recursos do governo estadual, com a promessa justamente de acabar com o problema histórico de cheias naquela região.
“A administração municipal lamenta que a obra de macrodrenagem anteriormente executada não tenha sido suficiente para resolver 100% um problema histórico do bairro. A atual gestão também acreditava que a intervenção realizada solucionaria a situação e, inclusive, promoveu ações complementares, como a intervenção no córrego que passa pela Praça do Rotary, com o objetivo de reduzir o acúmulo de água — sem qualquer prejuízo à praça, já que o córrego se manteve dentro do leito”, diz a nota.
A gestão de Júnior Corrêa afirmou ainda que “o problema enfrentado pelo bairro Nova Brasília é antigo e foi herdado pela atual administração”, e que o projeto de uma segunda etapa das obras “será apresentado ao Governo do Estado do Espírito Santo, com o objetivo de viabilizar os recursos necessários para uma solução definitiva”.
Em resposta, Victor Coelho afirmou que estava sendo questionado nas redes sociais “injustamente”, dizendo que “a maior obra de drenagem de Cachoeiro deu muito certo”. Segundo ele, o volume de chuvas foi “surreal” e, mesmo assim, várias ruas do bairro não ficaram cheias por muito tempo. Ele disse também que avisou, em agosto passado, durante a inauguração da macrodrenagem, que a obra ainda não tinha sido finalizada, faltando a construção de uma caixa de captação na rua Etelvina Vivácqua, justamente a via que apresentou mais problemas.
Coelho ainda questionou o motivo de a prefeitura não ter feito as obras de construção da caixa de captação, e mostrou que diversos trechos do município estavam alagados, dizendo que a nota tinha “cunho político” para prejudicá-lo e esconder os demais problemas. Victor também chamou Júnior Corrêa de “prefeito padre” e “Padre Kelmon da Cofril” – relembrando o episódio em que Júnior anunciou que sairia da política para se dedicar à Igreja Católica. Sobrou também para outro adversário, Diego Libardi (Republicanos), que foi candidato a prefeito nas duas últimas eleições e fez um vídeo sobre o caso, chamado pelo secretário estadual de “turista” e “Marçal da shopee”.
Na noite dessa terça-feira (6), Victor Coelho voltou a se manifestar – dessa vez, em resposta a um vídeo em que o secretário interino de Cultura e Turismo, Wanderson Amorim, aparece mostrando diversas goteiras no Palácio Bernardino Monteiro, patrimônio histórico do município que foi restaurado e reinaugurado em julho de 2024, mais uma obra da gestão de Coelho com recursos do governo estadual. Wanderson afirmou que a empresa responsável pela obra seria notificada para responder pelo “dano ao erário”.
Victor Coelho acusou a gestão de Júnior Corrêa de utilizar as redes oficiais da Prefeitura para “autopromoção”, dizendo que nunca criticou gestões anteriores em redes próprias e oficiais durante seus dois mandatos. Ele defendeu ainda que a obra no Palácio foi inaugurada há mais de um ano, com todos os laudos apresentados pela empresa responsável, e que a administração atual “joga a culpa da própria incompetência” em seu mandato.
Disputas internas e externas
Wanderson Amorim, vale destacar, é o secretário-executivo de Comunicação da Prefeitura de Cachoeiro – ou seja, tem responsabilidade direta pelas postagens da prefeitura nos canais institucionais. Sua nomeação como secretário interino de Cultura e Turismo resultou no pedido de exoneração da titular da pasta, Larissa Patrão, nessa terça-feira (6).
Patrão, segundo informações de bastidores, não gostou de ver alguém externo à secretaria ocupando a cadeira durante as suas férias, mesmo que servidores ligados a ela pudessem cumprir esse papel. Ela já vinha enfrentando desgastes internos com o prefeito interino de Cachoeiro, e o episódio teria sido a gota d’água.
Júnior Corrêa e Larissa Patrão são filiados ao mesmo partido, o Novo – pelo menos por enquanto. Segundo informações de uma fonte que acompanha as movimentações políticas locais, a tendência é que Corrêa procure em breve uma nova sigla mais alinhada ao governador Renato Casagrande (PSB).
Corrêa, que até o ano passado era filiado ao Partido Liberal (PL), costumava se posicionar criticamente em relação a Renato Casagrande. Entretanto, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), além de ser filho do prefeito licenciado, é pré-candidato a governador no ano que vem. Essas relações “familiares”, junto à grande dependência da Prefeitura de Cachoeiro em relação aos investimentos estaduais, acabaram empurrando o prefeito interino para mais perto da base governista.
Victor Coelho, como se sabe, sempre foi defensor ardoso de Renato Casagrande. Ele deverá ser candidato a deputado estadual nas eleições de outubro deste ano, o que explica a postura de sempre querer defender o próprio legado em Cachoeiro.

